17 de fevereiro de 2016

A vida



Enquanto via este pequeno filme não consegui deixar de pensar na vida, principalmente na perspectiva de quem é mais velho e está mais próximo de a terminar.
Em três dias perdemos dois membros da nossa família. Não era uma questão que tivesse pensado abordar aqui,  Mas agora vi o filme e pensei em tudo o que poderia ter sido e imaginei cada um dos seus desejos e objectivos de vida.
Jane Goodall é uma mulher que admiro por muitas razões. admiro-a por ter a capacidade de aos 80 anos ainda ter a cabeça e o coração de quem se maravilha com a natureza e de quem facilmente encontra a felicidade nas pequenas coisas. Admiro-a intelectualmente e admiro-a pessoalmente.
Não é comum nas pessoas mais velhas, e não tendo pretensão de saber tudo o que as pessoas mais velhas pensam, sei que muitas delas aos 80 já desistiram das pequenas lições da vida. Ver uma mulher de bem com a vida, cheia de sonhos e desejos e objectivos aos 80 anos, é uma inspiração.

Maravilham-me pessoas mais velhas com níveis de cultura acima da média, normalmente são pessoas que não vivem presas ao passado e não fazem da sua história de vida um drama do qual não se conseguem separar.
Não tenho na minha família grandes exemplos de mulheres de grande cultura, com uma educação privilegiada. Venho de famílias de mulheres fortes que arregaçaram mangas ainda em crianças e trabalharam para se sustentar a si e aos irmãos, de gente que pastoreou em vez de ir à escola, de gente que limpou casas de outros, de gente que construiu estradas e prisões, ainda usadas nos dias de hoje. De gente que andou fugida à polícia e chorava com saudades de mãe (no inicio do século passado, não vá algum agente da autoridade ler este post e achar que escondo algum fugitivo). E apesar da tal falta de cultura que tanto me fascina,  é com estas que aprendo as melhores lições de vida. Mulheres fortes que se souberam erguer e dar um futuro aos seus descendentes. Força, coragem e persistência. E no fim, a recompensa.

Não partilho da opinião da Dra Goodall quando ela diz que que diminuiria a quantidade de seres humanos no planeta porque estamos a esgotar os seus recurso. Acho que estamos a entrar numa nova época, acho que há muita coisa para ser inventada, acho que vêm tempos muito interessantes e que as descobertas que vamos ter à nossa disposição vão dar a volta a muitas das questões que se julgavam sem resposta. Espero que ela viva o suficiente para o ver (e já agora, eu também).

Emocionam-me pessoas com uma certa idade a falar das suas esperanças e sonhos, conscientes de que a vida não lhes dará o tempo que desejariam para fazer tudo. E penso nos que partiram. Sinto saudades e gostaria que pudessem ter mantido os seus sonhos por perto. Imagino-os a olharem para nós, a tomarem consciência de que tudo é relativo.

Questiono-me sobre os sonhos de que terei desistido. Mentalmente planeio objectivos a longo prazo que ensinem o meu filho sobre a vida e a tranquilidade de passar por ela. E se pelo caminho puder ajudar alguém, tanto melhor, serei um melhor exemplo, terei cumprido um objectivo maior.





2 comentários:

  1. Continuo a achar que devias partilhar a estes posts no Facebook. Há neste post um parágrafo soberbamente bem escrito e tocante que merecia ser lido por mais olhos. Mas essa é apenas a minha opinião.

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