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22 de fevereiro de 2016

E a vida continua


Os últimos tempos têm sido... estranhos. 
Por muito que se saiba que a vida não é infinita e por muito que uma família se prepare para um final que se adivinha próximo, nunca na verdade se está preparado para o tal adeus definitivo.
Pelo G, mantemos a vida o mais normal possível, explicámos-lhe que o avô partiu e que o papá estava muito triste, pelo que esta ida ao norte, não seria por nenhuma festa ou reunião animada de família.
E reconforta-me que lá tenhamos estado todos juntos em Novembro no 91º aniversário do avô.

 O tempo esta semana foi mais gentil. Lembro-me quando o meu avô faleceu, há 12 anos, lembro-me de no dia seguinte estar um dia de sol e eu pensar que nada no planeta deixava adivinhar que ele tinha acabado de partir, que o mundo no dia a seguir se tinha atrevido a girar e o sol atrevido a brilhar como se nada fosse.
A semana passada choveu e nevou e fez um vento gélido enquanto nos despedíamos do avô "Manel". Esta semana o sol esteve connosco todas as horas do dia.
Neste sábado, quando iniciávamos o regresso a casa, a imagem da Serra ao longe parecia falar-nos.
E se assim o pensámos, melhor o fizemos. Sem que tivéssemos minimamente preparados, virámos à esquerda em vez de seguir para sul.

A pureza do branco por todo o lado  e a frescura do ar,  pareciam limpar-nos a alma. Esteve um dia maravilhoso que parecia querer compensar-nos do escuro e triste adeus da semana anterior. Deu para sair do carro, enterrar mãos e pés na neve como se de areia se tratasse. Deu para o G compreender a neve e perceber como foi uma infância (do pai) aos caprichos das condições atmosféricas junto à Serra de Montemuro. "Oh mãe, eu queria tanto ter nascido aqui!"
Nasceu em Lisboa, e talvez por isso aprecie melhor estas viagens e as emoções que a natureza nos pode proporcionar.

Saímos dali mais leves.






17 de fevereiro de 2016

A vida



Enquanto via este pequeno filme não consegui deixar de pensar na vida, principalmente na perspectiva de quem é mais velho e está mais próximo de a terminar.
Em três dias perdemos dois membros da nossa família. Não era uma questão que tivesse pensado abordar aqui,  Mas agora vi o filme e pensei em tudo o que poderia ter sido e imaginei cada um dos seus desejos e objectivos de vida.
Jane Goodall é uma mulher que admiro por muitas razões. admiro-a por ter a capacidade de aos 80 anos ainda ter a cabeça e o coração de quem se maravilha com a natureza e de quem facilmente encontra a felicidade nas pequenas coisas. Admiro-a intelectualmente e admiro-a pessoalmente.
Não é comum nas pessoas mais velhas, e não tendo pretensão de saber tudo o que as pessoas mais velhas pensam, sei que muitas delas aos 80 já desistiram das pequenas lições da vida. Ver uma mulher de bem com a vida, cheia de sonhos e desejos e objectivos aos 80 anos, é uma inspiração.

Maravilham-me pessoas mais velhas com níveis de cultura acima da média, normalmente são pessoas que não vivem presas ao passado e não fazem da sua história de vida um drama do qual não se conseguem separar.
Não tenho na minha família grandes exemplos de mulheres de grande cultura, com uma educação privilegiada. Venho de famílias de mulheres fortes que arregaçaram mangas ainda em crianças e trabalharam para se sustentar a si e aos irmãos, de gente que pastoreou em vez de ir à escola, de gente que limpou casas de outros, de gente que construiu estradas e prisões, ainda usadas nos dias de hoje. De gente que andou fugida à polícia e chorava com saudades de mãe (no inicio do século passado, não vá algum agente da autoridade ler este post e achar que escondo algum fugitivo). E apesar da tal falta de cultura que tanto me fascina,  é com estas que aprendo as melhores lições de vida. Mulheres fortes que se souberam erguer e dar um futuro aos seus descendentes. Força, coragem e persistência. E no fim, a recompensa.

Não partilho da opinião da Dra Goodall quando ela diz que que diminuiria a quantidade de seres humanos no planeta porque estamos a esgotar os seus recurso. Acho que estamos a entrar numa nova época, acho que há muita coisa para ser inventada, acho que vêm tempos muito interessantes e que as descobertas que vamos ter à nossa disposição vão dar a volta a muitas das questões que se julgavam sem resposta. Espero que ela viva o suficiente para o ver (e já agora, eu também).

Emocionam-me pessoas com uma certa idade a falar das suas esperanças e sonhos, conscientes de que a vida não lhes dará o tempo que desejariam para fazer tudo. E penso nos que partiram. Sinto saudades e gostaria que pudessem ter mantido os seus sonhos por perto. Imagino-os a olharem para nós, a tomarem consciência de que tudo é relativo.

Questiono-me sobre os sonhos de que terei desistido. Mentalmente planeio objectivos a longo prazo que ensinem o meu filho sobre a vida e a tranquilidade de passar por ela. E se pelo caminho puder ajudar alguém, tanto melhor, serei um melhor exemplo, terei cumprido um objectivo maior.





20 de abril de 2015

O Liebster Award (e um pedido de desculpas à M)

Não sei muito bem como abordar este tema e, quanto mais tempo passa, pior.
Estou em falta, estou tão em falta e não devo adiar mais porque posts perfeitos não existem, nem respostas perfeitas, nem blogs perfeitos.
E se por um lado me sinto grata, por outro, não me sinto merecedora de todo.

Há umas semanas (há mais de um mês) a M, do blog Vidas na nossa vida, nomeou este blog para um Liebster Award (aqui neste post, tudo explicadinho). Eu nem queria acreditar, há meses que esta minha viagem avança aos empurrões. É verdade que a vontade de estar sempre presente é muita, continuo a fotografar cada pequena coisa e a guardar informação quase diariamente que acho que vou logo partilhar e depois não tenho tempo e a ocasião passa e perde-se o timing. Às vezes acho que vou conseguir arranjar um bocadinho, "hoje é que é" e depois não é. 
A seguir a M aparece e fala-me do liebster award, mentalmente começo a escrever o post, O tempo continua a passar, a vida puxa por mim, eu percebo. 

À semelhança da M vou dobrar um pouco (mais) as regras, vou responder às questões porque há sempre curiosidade e respeito isso mas, não posso nomear ninguém, não agora,  não ainda. Tirando dois ou três blogs, há muito que não viajo pela blogosfera, não sei quem chegou, quem partiu. Há muito que não sei nada de ninguém, não tenho tido tempo. Sinto que devo tentar acompanhar e voltar a conhecer os blogs antes de poder nomear alguém. Parece-me ser o mais acertado.

As 5 respostas todas juntas.
A ideia para o nome deste blog não foi tão aleatória quanto o próprio nome pode sugerir. A "viagem" é o caminho que vou fazendo e partilhando aos poucos, o meu caminho, a minha vida . O "reconhecimento" vem de reencontrar ou reconhecer trilhos de outros tempos. É o caminho que fazemos tendo em conta que intuitivamente  vamos reconhecer os lugares  por onde já passámos antes, e que estamos em condições de fazer melhores escolhas.
Este caminho é parte de mim, é parte da minha vida. Numa escala de importância vem depois da família e (infelizmente) depois do trabalho, mais ou menos no lugar onde me coloco a mim. 

As viagens, fiz algumas, adoro viajar, apaixonei-me pela Suécia. Gostava de conhecer países fora da Europa mas quanto mais tempo passa, menos importância isso vai tendo dentro de mim. Talvez tudo mude quando o G for mais crescido, talvez possa viajar com ele (temos uma viagem planeada à Disney para o próximo mês mas isso é para um post diferente). Para já, a viagem da minha vida, é aquela que faço desde que o meu filho nasceu. Vejo tudo com outros olhos, o que absorvo é sempre na perspectiva de o preparar o melhor que conseguir para que ele possa passar tranquilamente pela vida. Para que ele reconheça e dê o seu contributo para ser a tal mudança que desejar ver no mundo.

Os livros. Tenho muitos livros preferidos, não conseguiria escolher só um. Os livros são outras viagens que nos ajudam na vida. Uns são o escape que nos levam a sonhar, outros são utensílios que nos ajudam com as escolhas do caminho.
Às vezes leio um livro "só" pela sua história simples, pelos lugares onde me pode levar, pelas histórias de outras personagens. Mas a maioria dos livros que leio são ferramentas que espero me ajudem a compreender o mundo. Às vezes parece que quanto mais leio, mais distante fico do objectivo. Mas, sei que o truque é (tentar) perceber as pessoas.
Neste momento estou a ler "Educar para o futuro" de PaulTough (Ed. Clube do Autor). Recomendo.
Sei que o voltarei a ler um dia. Esclarecedor a muitos níveis. Um estudo que nos explica como as forças de carácter [preseverança, autocontrolo, entusiasmo, optimismo, gratidão, curiosidade, etc] influenciam as crianças e o seu desenvolvimento. Muito bom. 

A última questão é a mais avassaladora de todas, o meu maior desejo para este ano. O meu maior desejo não é só para este ano. O que desejamos todos nós? O que desejo eu enquanto mãe, mulher, ser humano?
Indo de encontro ao livro que estou a ler, quero um mundo que vejo aos poucos começar a mostrar sinais de tolerância, generosidade, gratidão.  Pode não parecer porque as notícias só mostram os dramas mas, pequenos grandes gestos vão dando do que falar e é esse  mundo que quero ver crescer todos os dias. É esse o mundo que quero para mim, para a minha família, para todas as pessoas.

E M, desculpa. Obrigada pela nomeação. Não a mereço mas aqui vai o melhor que consigo neste momento. 

17 de janeiro de 2015

Mudar de vida

- Mãe, quando é que vamos tirar uns dias?
- Tiras uns dias para quê?
- Para irmos de férias.
-Queres ir de férias porquê?
- Porque estou farto de estar em casa!...

Doenças que apanham períodos de férias transformam-se em tempos estranhos sem significado, sem vontade, sem alegria, sem coisa nenhuma. Tempo que não é produtivo. Necessário sim, para recuperar mas parece que a vida pára. Que continua lá fora, para os outros, mas, que nos exclui a nós.
Voltar ao normal é mais do que desejado, é essencial, é urgente. 

8 de janeiro de 2015

É hoje!

 É hoje, encho-me de coragem e abro o blog. Se estiver à espera do texto perfeito para recomeçar, desconfio que pode nem ser este ano.

Não é pacífico, nunca é. Estas paragens que a vida por vezes nos traz e o quanto tentamos que não interfiram com o nosso eu interior.
Mas aconteceu, a vida impôs-se e há sempre alguma parte de nós que tem que ceder. Penso nos três meses que passaram como sempre fui pensando a cada pequeno acontecimento, a cada foto, a cada conversa, houve sempre tanto para partilhar. 
Depois veio a vontade de mudar tudo, pensei começar qualquer coisa nova, começar a separar as águas... o pior é o tempo. Mas quem sabe? talvez um dia consiga, aos poucos... Pudesse eu só fazer isto.

E três meses passaram-se num piscar de olhos. 
Aniversários, marcos de crescimento, conversas hilariantes, pequenos momentos de cortar a respiração. Crescer, viver é tudo isto. Quando se é pequeno, cada minuto, cada hora é uma eternidade (e então quando se espera pela Pai Natal...), quando se é mais velho, cada ano passa a correr.
Entretanto, familiares partiram, e os que permanecem no lugar da frente estão cada vez mais frágeis. E eu penso em tudo o que vai com eles, é inevitável. Não é segredo nenhum, já aqui partilhei no quanto acredito que voltamos à vida, que a humanidade de cada um vai sendo a soma de todas as experiências, voltamos e adicionamos conhecimento até termos a "imagem completa". E cada uma dessas novas viagens começará sempre de reconhecimento, no sentido de passarmos no caminho  para nos lembrarmos que já ali estivemos. E seremos cada vez melhores.

Por estes dias uma pausa forçada permite-me o tempo suficiente para parar e pensar um bocadinho. Há sempre períodos em que somos mais contemplativos,  gosto especialmente destas fases, não das pausas forçadas, claro, refiro-me aos momentos de reflexão que nos ajudam a crescer, e me deixam espaço para vir aqui, tratar da escrita.
A pausa forçada deve-se à pneumonia que a criança cá de casa "apanhou" (como se tivesse andado a correr atrás). Dez dias sem pôr o pé na rua, e, vendo bem o frio que tem estado, não chateia muito cumprir as ordens do médico. O pior é tomar o Clavamox que até já trocámos pelo Augmentin (porque é ligeiramente mais doce mas não adiantou nada), a guerra e o desespero têm sido tão grandes que me ocorreu chantagear descaradamente a criança, contornamos as batalhas com a  mesma falta de vergonha que ele demonstra ao tomar avidamente o remédio a troco de cromos das Tartarugas Ninja. Resulta, é o que interessa.
A pneumonia apanhou-nos desprevenidos (acho que ninguém espera realmente uma coisa destas), só à segunda ida às urgências é que lhe fizeram as análises e o colocaram a soro. O raio-X confirmou.
Febres a 40º por quatro dias que me deixaram fora de mim. Quando veio o diagnóstico juntamente com o tratamento é que começámos a conseguir respirar. E apesar de tudo, dia 1 de Janeiro foi um bom começo porque foi a primeira noite sem febre.
Parece que este Inverno está mesmo a ser o do nosso descontentamento. De quantas pessoas já ouvimos nós falar que tiveram pneumonia este ano?

E 2015, para quem gosta destas coisas, dizem, será regido por Marte e a sua impulsividade... vamos ver. Todos temos as nossas guerras, pode ser que não seja nada de especial.
Ontem as notícias já nos deram conta da grande violência que parece começar a ser cartão de visita a cada chegada de novo ano. Se por curiosidade formos ver outros anos regidos por Marte... (aqui). Mas o que interessa é o mundo que vamos construindo. O passado importa lembrar para não se repetirem os erros.
Seja o que for que 2015 nos trouxer, sabemos que sairemos dele bem mais fortes.

Para já, eu e ele , resumidos à nossa insignificância na contribuição diária para o mundo, passamos o dia a ver TV, a ler histórias, a treinar letras e números, a colar cromos e a melhorar.
Este Janeiro não vai ser como os outros, parece-me que vai passar bem depressa.

Primeiro desejo (egoista) para o novo ano: ter tempo para vir todos os dias ao blog.

8 de julho de 2014

A vida


Os dias passam a correr, ainda ontem nos queixávamos que Janeiro parecia não terminar e hoje já estamos em Julho. A vida não passa, a vida ultrapassa.
Nada de especial se alterou na nossa vida nos últimos tempos, mas, de alguma forma algo mudou e mudou-nos também.  Se calhar estamos só a "crescer" (uso aqui o termo crescer em substituição de envelhecer). "Crescer" tem a força de nos fazer ver tudo de um ponto de vista mais optimizado, somos cada vez mais selectivos, não que não gostemos já das mesmas coisas, mas seleccionamos melhor, há coisas que não nos fazem mesmo falta nenhuma, eliminamos não só o supérfluo, eliminamos o simples extra. A vida não é mais a mesma. Parece-me.
Ainda estou a tentar perceber.

Quando escolhemos a casa onde hoje habitamos fizemo-lo pelas varandas e pela vista desafogada com o  horizonte a perder de vista. O campo à volta - espaço não construído - foi uma mais valia também. Com o tempo começámos a conhecer a vivência da zona, árvores,  flores e borboletas por todo o lado. O canto dos pássaros cedo pela manhã e até tarde no dia, coelhos e perdizes mesmo ali do lado de fora da janela. Um privilégio para quem vive na cidade, mesmo. E pensar que procurámos casa fora de Lisboa porque dentro eram demasiado caras.
Pode parecer que vivemos num condomínio privado numa zona especial de fauna e flora protegidas... mas não, é um prédio comum, daqueles com graves problemas de construção [dos que não se vêem], daqueles que dão logo sinal de vida mal passam os cinco anos de garantia. O costume, e por isso nos sentimos uns sortudos por podermos apreciar a natureza de uma forma bem natural e ao seu próprio ritmo.
E se há alguns anos os coelhinhos só se aventuravam depois das dez da noite já na protecção do escuro, por estes dias é vê-los às sete da tarde, bem ali a aproveitar a erva fresca, e os melros a ensinarem os filhotes a voar, sem pressas, sem pressões. Os humanos estão a ver, mas estes não lhes fazem mal. Acho que eles já sabem.

Assim, chegar a casa depois de um daqueles dias em que mais vale aceitar e levar a coisa a jeito de resignação, porque "podia ser pior", como fazemos sempre que achamos que não temos alternativa, e por um momento, aquele ali mesmo entre o banho da criança e o jantar que ficou ao lume e que nos deu alguns segundos e a mesa está posta e já não dá tempo para começar uma qualquer outra tarefa, nesse momento, sair à varanda e ver a vida tranquila lá fora, sem pressas, sem medos, e cairmos em nós e acharmos que somos uns idiotas com vidas parvas e correrias cegas sem conseguir aproveitar nada de bom. Sem tempo para ver as crianças crescerem, sem tempo para cheirar as flores, sem tempo para apreciar o tempo. Nesses momentos vale o agarrar a sensação, guardar a vontade ali bem à mão para não esquecer e começar a pensar a sério em mudar de vida. Eu sei que eu estou, estou a pensar a sério, antes que a cabeça dê um nó.

3 de junho de 2014

19 de março de 2014

Dia do Pai



A todos os pais que transformam tarefas difíceis em jogos simples , a todos os pais que vestem camisolinhas bonitas, a todos os pais presentes e ausentes que amam e inspiram os seus filhos a superar-se sempre mais, ao pai do meu filho, ao meu pai, um dia muito feliz.
A todas as mães que sozinhas criaram e criam os seus filhos, que foram e são pai e mãe ao mesmo tempo, que apesar do constante lado feminino dentro delas, conseguiram e conseguem o equilíbrio necessário para preparar um filho homem para a vida. À minha avó paterna e a todas essas mães, um dia muito feliz e toda a minha admiração e respeito por aquilo que conseguem ser.

4 de março de 2014

A troca da Primavera


Participei na troca da primavera do blog Jardim de Algodão Doce, eu e mais 57 pessoas.
Devo dizer que a ideia é fantástica, a C arranjou maneira de estranhas entrarem em contacto umas com as outras, de terem o cuidado de ir conhecer um pouco do que cada uma é, do que cada uma gosta, do que cada uma escreve sobre a vida.
A amiga secreta a quem vou enviar algo em rosa é a Anita (acho que não faz mal dizer o nome porque está à vista) do blog A minha vidinha. Confesso que não conhecia, o tempo para as minhas explorações de outros tempos não tem sido muito, mas já comecei a dar uma vista de olhos e sinceramente espero conseguir cumprir o desafio no seu (meu) melhor.
A tarefa ingrata de me enviar a mim algo rosa é da Sara do blog Vícios atrapalhados, sei que ela já começou a explorar por aqui :)  Bem-vinda!
E obrigada C, é tão bom conhecer pessoas novas, ter novos contactos, novas perspectivas, novos olhares sobre a vida. É tanto o que se recebe.

24 de dezembro de 2013

O ritmo alucinante

O Inverno chegou e instalou-se, oiço o vento empurrar algo no terraço dos vizinhos de cima e embrulho-me mais na manta, a gata dorme em cima das minhas pernas.
Foram três dias alucinantes, e neste momento só o cansaço me mantém acordada.

Não sei porque às vezes decidimos chamar a nós certas responsabilidades ou tarefas que nos consomem, ou talvez essas tarefas nos pertençam mesmo. Não sei quantas horas passei hoje na cozinha, seguramente umas dez, entre bolos, bolinhos, bolachinhas e sobremesas com direito a versão normal e versão tolerada por diabéticos. Na verdade sinto-me bem, tenho aquela sensação de tarefa cumprida e em principio, tudo saiu bem (o que nem sempre acontece).

O piolho começou febril ontem (anteontem, domingo) e embora a coisa não tenha evoluído, passa as noites muito agitadas. Sempre que vai para a cama pergunta-me se a hora dos sonhos já passou, percebo que quer que lhe diga que sim, gostava que fosse verdade, lembro-me quando miúda tinha medo de sonhar, e combatia o sono o máximo que podia, quem me dera poder mudar tudo o que o assusta e magoa, quem me dera.

Estamos de férias, e o Pai Natal está a caminho e por estes dias é só o que interessa. Amanhã (hoje) rumamos em direcção à família. Sei que será o último Natal de um dos meus tios e apesar de isso me entristecer, dá-me também mais vontade de fazer parte e sei que o viverei de forma mais intensa e o guardarei para sempre no coração. Por isso também todo este empenho. 
O G é pequenino, não tem noção mas terá memória, terá fotografias, muitas, claro.
É estranho, mas se soubéssemos sempre quando as pessoas da nossa vida estivessem para nos deixar, talvez reavaliássemos mais a própria vida e agíssemos mais como deveríamos agir sempre. Nunca validamos as pessoas quando estamos com elas, porque nunca achamos que é a última vez que as vemos, nem tão pouco o deveríamos fazer só porque é a última vez.
Enfim, face à impotência perante a inevitabilidade, a aceitação é o melhor que temos, principalmente porque nos permite estar mais tranquilos apesar de tudo, e, com tranquilidade vivemos melhor o que temos.

A noite vai longa e embora me apetecesse ficar aqui a escrever como se não houvesse amanhã, não posso, não só existe um amanhã como está mesmo a chegar (e é véspera de Natal). 
Por estes dias o tráfego da net estará um pouco menos intenso mas se alguém ainda por aqui passar, quero deixar os votos de Feliz Natal, tranquilidade, bons e intensos momentos com a família (seja a de origem ou a de escolha). Validar quem está perto de nós, estreitar laços e criar boas memórias. E depois, que o Pai Natal seja amiguinho.

9 de dezembro de 2013

Da maturidade


No outro dia vi esta imagem no facebook (e infelizmente não sei de quem é...) e fiquei a pensar. Às vezes debitamos mesmo as nossas raivas (com mais ou menos força) nas redes sociais.
Não costumo ir muito ao facebook, já por outro lado, não vivo sem o blog e tenho a perfeita noção que não sou propriamente a santidade em pessoa. Tenho ideias fixas, e às vezes sou quase fundamentalista a defender alguma ideia em que acredito piamente. Sei que quando há certezas, o espaço para crescimento é nulo, se nada é certo como posso eu defender certezas? Fez-me pensar, é verdade, fez-me pensar no rumo que às vezes dou ao que escrevo e o pior é que quando o faço nem dou por isso. Talvez me falte tranquilidade na escrita, ponderação, maturidade. E às vezes é difícil, como não sou de letras, não me habituei a ser politicamente correta  e muito menos ambígua na escrita mais ainda quando o mundo da blogosfera  nos permite quase ser quem somos de uma forma muito frontal, sem grandes preocupações.
Mas gosto de defender as minhas ideias, as minhas crenças, todos temos que ter algumas verdades a que nos segurarmos, sejam elas deste mundo ou do outro. Cresci a defender a vida e a condição humana, revoltam-me as injustiças, revolta-me a falsidade, a hipocrisia e a falta de integridade e fervo, fervo muito com estes temas. Fervo tanto que às vezes passo das marcas ou pelo menos é essa a noção que tenho porque não me dissocio das emoções enquanto escrevo. Por isso, aqui fica desde já o meu pedido de desculpas a quem me lê, não sei se vou conseguir mas vou tentar ter mais maturidade naquilo que escrevo (porque em relação à vida talvez já seja tarde).
E agora se me dão licença, tenho que ir num instantinho ver que notícia é essa que diz que o INE confirma o fim da recessão em Portugal. E isto sim, é pura imaturidade.

Foi um domingo em cheio

Apanhar salsa para  o almoço

Limpar as folhas de Outono

Apanhar medronhos

Marmelos para a marmelada

E não podiam faltar as laranjas
Agora diz que quer ser lavrador, quando o levamos mais a sério sobre o assunto diz que gostava mais de ser bombeiro mas isto é conforme o vento, às vezes de norte e outras vezes de sul.
Fomos aos anos da tia e como adora lá ir desta vez empenhou-se e trabalhou a sério. Ver o esforço que fez a varrer as folhas e colocá-las no saco, foi encantador.
E é teimosinho, leva um saco só para ele, e lá só coloca os marmelos/laranjas que ele apanha, não há cá misturas.

Não tem havido chuva mas a natureza é brilhante, ver as árvores assim, são autenticas imagens natalícias, tanta cor, tanto aroma, tanta tranquilidade, não consigo evitar de sentir gratidão quando colho a fruta. A vida quase que se transforma e ganha um novo sentido com tanto que a natureza nos dá.
Momentos destes fazem-me questionar por vezes certas opções que tomo em relação à minha vida. Não seria tão mais saudável em todos os aspectos ter uma vida completamente diferente?
Levanto-me antes do sol nascer, obrigo uma criança pequenina a sair da cama contra a sua tão manifesta vontade, dói-me claro, enfrentamos um transito diabólico e mal disposto, entrego-o na escola onde é dos primeiros a chegar, corro para o escritório onde enfrento não só dias difíceis como pessoas difíceis. Almoço a correr para continuar o resto do dia. Saio rapidamente para pegar no puto e fugir para a auto-estrada antes do grosso das filas, chegamos a casa já com o sol posto, dou-lhe banho a maior parte das vezes contra a vontade dele, faço o jantar e planeio deitar-me cedo o que nem sempre consigo. Corro muito em todas as direcções para manter sempre a vida do mesmo modo. Não alcanço nada de novo, e canso-me muito.
Ás vezes penso mesmo, e se?

9 de maio de 2013

Pudesse a vida permitir-me o tempo para tudo o que quero e acho que viveria uma realidade completamente diferente. A correria diária suga-me a energia e tudo o que resta depois das responsabilidades, obrigações, compromissos, é o pouco que consigo dedicar ao meu pequeno pirilampo. Embora para mim ele venha e virá sempre em primeiro lugar, muitas vezes não é isso que deixo ver, não é de propósito, é por estar envolvida na vida, é por achar que se não fizer o jantar ele não comerá, se não lavar a roupa ele não terá roupa limpa para vestir, se não for ao supermercado não terei nada em casa, se não trabalhar não terei dinheiro para o sustentar...
Não sou a única, sei que não, e sei que apesar de tudo tenho muita sorte, mas, seria tão bom que todos pudéssemos ter um pouco mais daquilo que gostamos. Estamos todos com medo do que virá.

Dizem, os "visionários", dizem as novas correntes de pensamento ou religião (ou modo de vida, sei lá) que deveríamos ser cada vez mais como todos os outros animais ao cimo da terra, os pássaros nunca vão dormir preocupados com o facto de no dia seguinte terem ou não alimento, eles confiam e a natureza providencia. É bonito, é muito bonito mas estamos longe.
É acima de tudo o medo, quanto mais nos "agarramos" mais a vida nos força a soltarmos. Aprendem-se grandes lições, não há dúvida, e acredito que estes últimos tempos que vivemos neste país têm ensinado muita coisa a muita gente. Eu, eu já aprendi algumas coisas, já aprendi que mais de metade de tudo aquilo que achava essencial era pura ilusão, e não falo só do material. O simples é tão mais fácil. A perda muitas vezes pode ser uma bênção (não me interpretem mal, depende da perda claro) está tudo "no relativo". O mais difícil é quando a perda é devastadora, se toda a família fica sem emprego, aí, não consigo nem imaginar que ensinamento se esconderá por de trás.
Tento sempre fazer o exercício do "tudo acontece por alguma razão", mas confesso que ás vezes não consigo mesmo vislumbrar "um boi" (ou a ponta de um corno - se preferirem).
Todos os dias novas realidades se dão a conhecer sobre famílias que perderam a casa, em que todos perderam emprego, em que as crianças quase só comem na escola... que poderá a vida querer dizer? Estaremos tão dentro e tão próximos do problema que não conseguimos ver mais nada? Será para criar humildade, será para gerar empatia e compaixão? Mas a que preço?
É verdade, a vida quando nos quer ensinar algo começa aos poucos, suavemente, devagar, se não escutarmos, ela insiste um bocadinho com mais força e por aí adiante até darmos ouvidos ou até perdermos tudo.
Tudo isto pode parecer uma grande parvoíce mas é nisto que encontro sentido para a vida. Temos o poder de fazer as nossas escolhas mas às vezes o buraco que criamos para nos metermos torna-se tão grande que não conseguimos ver mais nada em volta. 
A dimensão da emoção é que nos impede de agir.
E em última-última instancia tudo tem solução, quando perdemos tudo perdemos também o medo, a entrega é total, e se tivermos sorte, não nos faltará gente em volta para nos ajudar a erguer.
 
É inevitável, parece que já nem conseguimos pensar de outra forma, ia apenas escrever que queria ter mais tempo para mim, para o meu filho, para o meu blog, para a minha casa. Ia escrever que quando nos distanciamos emocionalmente e deixamos a razão à vontade muitas vezes encontramos pequenos caminhos que ajudam a ver a imagem grande. Ia escrever que alguém disse (um actor americano, acho eu) que a oportunidade não bate à porta mas aparece quando derrubamos a porta, quando destruímos aquilo que nos contém.
O que será o futuro? O futuro será como nós o construirmos.
Dizem que o "português" pensa pequeno mas grão a grão enche a galinha o papo e de pequeno futuro em pequeno futuro construiremos algo grande. É preciso não sucumbir, é preciso resiliência, chegaremos onde tivermos que chegar.
Haja saúde, certo?

26 de abril de 2013

O que se lê e o que se vive

Não sei se é geral, mas por aqui, o cansaço abate-se sobre nós como uma tempestade que nos impede de seguir caminho.
Parece que andamos todos com a bateria no vermelho. 
Andamos todos a precisar de uma vida nova, há dias assim.
Quem vê uma fotografia ou lê um post não sabe a realidade que vai por trás. No fundo, nós construímos a vida que queremos no que escrevemos, e também vemos nas outras vidas aquilo que queremos ver. A imaginação é o limite e ler é diferente de conversar.
Estava a ler este post e achei que era bom demais para o deixar em paz. É preciso procurarmos o bom do caminho, aceitar a realidade porque "vidas perfeitas" podem ser todas, depende da ideia de perfeição de cada um. 

1 de fevereiro de 2013

Vira o disco

E tanto que se continua a escrever sobre o assunto, cá para mim, 2014, 2016, 2022, não sei quando escreverei completamente sob as linhas do novo OA. Duvido mas, pode ser que algum dia num futuro (distante) ao rever um dos meus livros anteriores à polémica pense: "Ena, já nem me lembrava que antigamente se escrevia assim."
Vou sempre escrever como sei, e se escrever "acção" em vez de "ação", ninguém me vai perguntar o que é que eu queria dizer.
Com calma, tranquilidade e prática qualquer dia já ninguém se lembra disso, o hábito faz o monge, nem vale a pena, não há como fugir.
Continuo a achar que é uma descaracterização profunda que se faz com o nosso país (mais uma) e a língua mãe mas, em comparação com os problemas que muitos de nós sentem na pele neste momento, é mesmo os cães a ladrarem e a caravana a passar.

17 de janeiro de 2013

Amor e perda

 
Foi logo num dos primeiros dia do ano, pela hora do almoço, vi-o ali perdido no canto da entrada de uma porta.  Alguém o tirou do caminho e o abrigou dos passos anónimos.
Não podia deixar de o fotografar.
E ali ficou porque o João pode não o ter recebido, e em mim viveu o desejo que ele não partisse sem o ver. 


29 de novembro de 2012

O que somos e o que queremos ser. Nós na vida.

Pertenço a uma família mais comprida do que larga (comprida em idades e estreita em quantidades). Nem sempre foi assim, mas no último terço do séc. XX, onde me insiro (e onde nasci) já o tempo tinha há muito começado a devorar a fatia da largura das épocas  em que o número de filhos se media na casa das dezenas.
Dizia eu que tendo pertencido a uma família de poucos elementos, em que a proximidade sempre se fez na vertical, em que os membros mais novos sempre partilharam das dores das mazelas e apoquentações dos mais velhos e, em que estes últimos sempre atentos, profetizando muitas vezes a desgraça a cada esquina, alertavam de modo intensivo para as agruras que a vida trazia aos menos preparados. Não foi por isso evidente encontrar aquele companheirismo ou cumplicidade que as amizades das mesmas idades trazem. Nem os mesmos assuntos ou interesses.

Assim sendo, sempre fui dada a um certo "grau" de isolamento, um pouco de melancolia mais trazida pelo sossego do que por algum acontecimento triste. Muito dada à leitura e à escrita (daquela que se faz na adolescência) e como se dizia lá pelos brejos, muito dada a ser "bicho do mato" - porque me enfiava na toca e de lá custava a sair. Não é algo que goste ou deixe de gostar, é assim, foi assim. Teve as suas coisas boas e teve as suas coisas más.

Tanto quanto posso, tento que o meu filho (membro desta mesma família) tenha um variado leque de presenças das mais diferentes idades junto dele. Uma vida o mais cheia de gente que me é possível. Ele gosta, ele adora ter companhia embora me peça às vezes para ficarmos em casa porque não lhe apetece sair - momentos de calma e tranquilidade.

Sempre tive por companhia uma cabeça povoada de pensamentos, dezenas de blocos, cadernos, diários, livros. Espaço para percorrer e cães, muitos cães. Se tivesse tido escolha, queria ter tido um pouco mais de confusão, de gente com quem partilhar tudo em vez de viver basicamente dentro de mim (mas sem prescindir dos cães). Ou talvez não, sei lá.

Bom, tudo isto, porque achando que sei o que é melhor, "quero evitar" que o meu filho se torne um ser solitário. Mãe nenhuma quer algo assim para o seu filho. Quero que seja uma criança feliz, rodeade de gente que lhe quer bem para que cresça com a segurança que o amor e a alegria transmitem. Que venha a ser uma pessoa sociável e com muitos amigos.

Por isso, ontem à noite, depois de um pequeno ralhete em que ele ficou chateado, se foi enfiar na cama sem me responder quando falei com ele, e quando finalmente falou para me dizer que estava chateado com ele próprio, os sinos dentro da minha cabeça tocaram todos em alerta. "Mas estás chateado porquê, meu amor?" E muito sério dizia quase mais para ele do que para mim "Porque faço asneiras. Desculpa mamã." Agarrou-me na mão.

Céus! Não, não, não, não! Tens três anos, não te podes chatear contigo. Mas que conversa é essa? Que mundo é este? Que pensamentos te começam a povoar?
És pequenino, faz as asneiras todas e alegra-te com o que os disparates te trazem. Experimenta, descobre, aprende. Ri, ri muito e se quiseres apenas ficar a pensar, pensa na segurança e no amor que te rodeia, na alegria com que podes simplesmente ser criança.
A mãe ralha contigo porque é o que as mães fazem. As mães às vezes esquecem-se que os filhos são pequeninos e querem que eles consigam compreender tudo do modo como elas compreendem. Elas depois lembram-se que não é bem assim...
Tudo que quero é que sejas feliz, sei que não conseguirei evitar que sofras e sei que algum desse sofrimento será aos teus olhos infligido por mim. Doi-me saber isso, mas, a vida segue assim, o mundo não é de algodão e as mães não são seres perfeitos.
Nunca te esqueças que te amo muito.

27 de novembro de 2012

Pequenos passos

Ainda com um longo caminho pela frente mas com o primeiro passo finalmente dado.
 
Lembro-me de uma época em que vivia intensamente certos acontecimentos mundiais. Queria um mundo justo ou um mundo mais justo, principalmente para as mulheres.
Nunca me foi vedado o acesso nenhum tipo de informação, e desde cedo descobri que em certos lugares, países, culturas a mulher valia (e continua a valer) bem menos que os bichos.
Também descobri que muitas dessas culturas, fechadas, permaneciam porque as próprias mulheres aí inseridas apenas se consideravam quando tratadas de acordo com esses seus velhos costumes. Assim o aceitavam e assim o exigiam, porque só assim tinham aquilo que consideravam o respeito.
Mais tarde percebi que o acesso à informação é uma coisa extremamente valiosa. Normalmente e porque não nos custa adquiri-la, nem nos apercebemos do bem que temos.
Não é à toa que um dos maiores degraus na escada do desenvolvimento é o acessso à educação. Quando a mulher é impedida de aprender a ler, nunca conseguirá sair para uma vida que não conhece.
 
Tarde a ONU aprova resolução que condena mutilação genital feminina. E é claro que a ONU aprovar ou não aprovar não nada é se os líderes comunitários e religiosos dos países envolvidos não intervirem. Tudo começa e depende deles. Infelizmente.
Mas pronto, foi aprovada uma resolução e temos que nos alegrar com isso. Já não falta tudo.