2 de dezembro de 2013

Ele há cada um

Com o ordenado mínimo nos 475€, o aumento do custo de vida em geral (mais agora com o novo ano a começar), greves constantes condicionando o funcionamento regular da sociedade e originando faltas e atrasos nos empregos, a riqueza do país na mão de uns quantos, uma classe política que legisla para se proteger a si própria, é difícil para o comum português manter uma vida estável e organizada.
Ter mais que um ou dois filhos na conjuntura actual, é um acto de coragem.

Votei a favor do aborto das duas vezes que fomos chamados a dar a nossa opinião. Votei a favor porque me revolta que nesta realidade patriarcal e temente a uma cúria cada vez mais obesa se apoderem dos direitos e decisões sobre o corpo e vida da mulher. Nenhuma das pessoas que vote contra o aborto se vai oferecer para pagar a alimentação ou educação dos filhos de quem não tem capacidade para isso.
É claro que sou a favor da vida, não sei se algum dia teria coragem para fazer um aborto mas sinto-me mais segura numa sociedade onde temos escolhas.

Quer parecer-me que D. Duarte está tão desfasado da realidade que ache que qualquer mulher faz um aborto com gosto. E logo no nosso país, com tantas ajudas e incentivos à natalidade.
O maior desespero de uma mãe deve mesmo ser o de não poder alimentar um filho, é de uma crueldade intolerável votar uma mulher a uma situação dessas.
Sinceramente, e eu que achava que era só  Mário Soares que estava a ficar senil.

28 de novembro de 2013

"Acção de Graças"

Ontem no carro, não sei bem como começou a conversa, eu e o meu pirolito falávamos de gratidão, de estarmos gratos.
Tentava que ele percebesse o que significa estar grato e ele dizia-me enquanto percorríamos a auto-estrada:
- Estou agradecido pelos sinais e pelos semáforos senão não conseguíamos chegar a casa.
Chegámos à portagem e ele continuou:
- Estou agradecido pela portagem...
-Ó G, pela portagem?
- Sim, senão como é que pagávamos?

Seguiu-se uma conversa mais ou menos profunda sobre as verdadeiras razões pela gratidão, o que sentimos em relação a algo e o que essa existência acrescenta à nossa vida. Se não existisse portagem, não pagávamos.

Envolvidos na vida, nas dificuldades do dia a dia destes últimos tempos, não temos tido muitas razões para estarmos gratos.
Não me considero uma pessoa pessimista por natureza, mas acredito que nestes tempos interessantes que se vivem, o pior está ainda para vir. Mas das grandes depressões emergem grandes soluções, reequacionam-se valores e atitudes e descobrem-se novos rumos, São os ventos da mudança, talvez o tempo de passar o testemunho e deixar uma nova geração fazer o trabalho. Quando se toca no fundo o único caminho que resta é para cima.
Temos ainda um longo caminho a percorrer, até porque todos juntos como sociedade ainda não chegámos ao consenso, não temos ainda valores comuns em consonância com o degrau seguinte na escada da evolução, subsistem ainda muitas diferenças, mas, o tempo de dar graças chegará um dia e numa época de energias renovadas compreenderemos finalmente.
Haverá coragem para dar graças pelos tempos que se vivem?

Também somos exemplo

É tão estranho, não estamos muito acostumados a ver Portugal como um exemplo a seguir. Mas que tem um gostinho especial, tem, ainda para mais quando o bom senso impera.

27 de novembro de 2013

Histórias que nos inspiram

WireImage
Aqui há umas semanas escrevi um post sobre uma notícia que corria na net pedindo voluntários (nos EUA) para ajudar ao desejo que uma criança de 5 anos com leucemia tinha em ser o Batkid. A cidade de São Francisco preparava-se para "parar" e proporcionar algo de espectacular a um pequeno herói, e contava com a ajuda de voluntários para dar um pouco mais de credibilidade à aventura.
As pessoas responderam, 11 mil pessoas responderam, colocaram de parte as suas vidas por um bocado para ajudar ao grande desejo e proporcionar a maior alegria da vida de uma criança. Durante um dia inteiro uma criança com leucemia de certeza que nem se lembrou que estava doente e viveu o melhor dia da sua vida.

E histórias assim tocam-nos e inspiram-nos. E o mais engraçado é que todos nós somos capazes de fazer pequenas diferenças nas vidas das pessoas só que às vezes escolhemos não o fazer ou estamos tão centrados em nós próprios que nem nos lembramos disso. E é tão simples, não custa nada ter uma atitude gentil, fazer algo de especial pelos outros, mudar o mundo aos bocadinhos.

26 de novembro de 2013