14 de julho de 2016

12 de julho de 2016

Domingo de jogo





Saímos do Alentejo já pelas 19:30.  A ideia era ver  o jogo já em casa mas, há sempre qualquer coisa que nos atrasa - o meu marido diz que sou eu -  eu tenho outra opinião mas agora, para o caso, não interessa nada.
À hora certa (a do jogo) começam as rádios com os seus relatos. O locutor da RR (se não me engano) diz que Ronaldo a entrar em campo passou pela taça (o tal do caneco) e lhe piscou o olho: "... e pisca-lhe o olho, Ronaldo quer segurar no caneco!..." e lá continuou.
A estrada, deserta, fantástica, o sonho de qualquer automobilista. Até a entrada na ponte Vasco da Gama, sempre com aquela fila nas portagens, estava vazia.

Decidimos comprar uma pizza para o jantar porque com o jogo e àquela hora, era o melhor a fazer. A pizzaria de eleição estava com 3 horas de espera, sim, 3! E era pizza para levar para casa... e o rapaz da pizzaria pediu desculpa mas era por causa do jogo... pois era, por causa do jogo, tivemos todos a mesma ideia. Passámos noutra, não é a mesma coisa.

O tempo passou e todos sabemos o que aconteceu, o pessoal gritou e vibrou e quase toda a gente chorou. Eu não chorei, não que seja insensível, mas porque me recuso a chorar por causa de futebol. A sério. E desculpem-me por não entender como posso estar errada.
Adoro o meu país, e nos jogos vibro e defendo-o com unhas e dentes mas... choro por outras causas. Claro que fiquei feliz, muito feliz. E acompanhei a chegada da seleção e adorei que depois de tudo de menos bom  que o mundo (França) disse de nós, tenha tido que o engolir.

A piada maior surgiu ontem à noite com a petição francesa para repetir a final do Euro. Oh, coitadinhos, eu explico, na box podem andar para trás na setinha dupla, aquela virada para a esquerda (mais ou menos isto: <<) e voltar a ver as vezes que quiserem. Vejam, vejam muitas vezes e aprendam. Em 2004 demos ao mundo uma lição de desportivismo, depois de perder com a Grécia na final (em casa) fomos juntos festejar com eles. Alguém morreu por isso? Ficámos tristes sim, mas é a vida, ganham-se umas e perdem-se outras. Ninguém ficou ressabiado.  E tenham vergonha, já chega, calem-se lá com isso. Para o ano há mais - ah é verdade, não, para o ano é a taça das confederações, só lá vão os campeões... pois, azar!  
Querem tanto ser os melhores e mostrar ao mundo, então sejam homenzinhos, deixem-se de birras. E pronto, não merecem nem mais uma palavra.

E viva Portugal!

25 de abril de 2016

E viva a Liberdade





Grândola pouco ou nada teve a ver com o 25 de Abril.  Grândola do 25 de Abril foi uma música. E a Grândola real apesar de ter percorrido o seu caminho desde 74, permanece meio  parada no tempo.  
Os foguetes à meia noite assinalaram a liberdade e hoje muita gente de passagem fotografava o monumento ao 25 de Abril.
Grândola  converteu-se num símbolo. E como um parente afastado, vive da fama que o nome alcançou. 
Grândola é uma vila morena, queimada pelo sol e pelos que a têm governado. E como vila não tem nada para oferecer.
A minha Grândola  é outra, é a Grândola da família, construída de muito trabalho. Longe do seu pequeno centro e das suas ideias.
Tem bom ar, muita natureza, e um tempo de fazer inveja ao resto do país. Estamos no campo, na encosta da serra, e bem pertinho do mar.
A minha liberdade é sempre lá que a encontro.
Grândola não precisa estar na linha da frente, Grândola só precisa de começar a sonhar um pouco mais, e provar que é bem mais do que  Zeca Afonso fez dela.
E com azinheiras sem idade, Grândola, eu e o país celebramos o fim de uma ditadura que certamente não nos permitiria escrever assim.
E viva a Liberdade.

A vida num feriado


Um calor aconchegante envolve-nos. No ar o perfume da natureza é intenso, escolho uma laranjeira e sento-me à sombra. 
Um mundo de azáfama cobre cada uma das árvores e fico a ver o vai e vem dos insectos. 
Os pássaros mais ao longe e os insectos bem perto de mim são os únicos sons presentes. As cores vivas e metalizadas de alguns bichos despertam-me a atenção. A natureza é brilhante.
Fecho os olhos e inspiro tudo, sinto-me desperta e feliz. É de manhã, por isso a moleza ainda não anda por perto.
Vesti uma t-shirt, uns calções e calcei chinelos. Há uma eternidade que não vestia algo tão leve, o corpo agradece. Está um dia de verão. 
Ao longe, na vila, a sirene dos bombeiros toca o meio dia. Preparamos uma mesa na rua e almoçamos as ervilhas que colhemos ontem ao final do dia. 
O sol forte queima e agora sim, a moleza instala-se.
 Ficamos na mesa à conversa. 
Este ano faltam membros da família, somos cada vez menos. Falamos deles, recontamos  histórias e assim permanecem connosco.
A única intranquilidade cá dentro prende-se com a viagem que ainda temos que fazer para Lisboa, nem falamos disso para fingir que não existe. Deixamos o tempo passar. 
Está um dia de verão.

19 de abril de 2016

16 de abril de 2016

Assustador

A criança cá de casa recebe 10€ por mês (de mesada) porque está a juntar para comprar o seu tablet.
Porque cá por casa também já pouco se emprestam tablets, e às vezes de castigo já se passam semanas sem poder tocar no telefone (da mãe ou do pai). Depois vejo reportagens como esta e a minha cabeça começa a viajar naquelas viagens que só os pais conseguem ter,  daquelas viagens alucinantes que nos deixam de coração nas mãos o resto da vida. E questiono-me se estaria no meu juízo perfeito quando concordei com esta coisa de mesada (e ele não sabe que por cada dez euros que recebe para o mealheiro do tablet, eu retiro 5 para a conta dele...).
Fiz questão de o sentar ao meu colo para ver a reportagem comigo. Mas por enquanto ele consegue explicar tudo muito bem e diz que não passa seis horas seguidas a jogar.  Pois não, a bateria do telefone não aguenta  ou então está na escola...
A não deixar de ver. 
Só um alerta: Para quem não viu a reportagem da RTP em Janeiro, é garantidamente causadora de pesadelos.

Maldita varicela

A varicela chegou disfarçada como qualquer outra virose que se preze. Chegou certa manhã com uma baba que deu muita comichão e pôs-me à procura de melgas no quarto da criança. Depois, ao fim do dia, veio a ameaça de febre e o piolho ficou todo sarapintado, a varicela instalou-se em força. 
Tinha feito uma visita aqui há uns quatro anos mas foi tão levezinha que quase não demos por ela. Mesmo das duas vezes anteriores que visitou a escola, não quis nada connosco.
Agora anda por aí em força, em várias escolas, e várias casas. 
E sendo improvável, parece que não é tão raro assim apanhar varicela uma segunda vez. O chato foi ter levado o miúdo a passar pela vacina. E afinal era escusado.
Fiquei também a saber de um menino que teve varicela três vezes, foi-me dito pela própria mãe. Não sei se foi algum caso de sistema imunitário mais debilitado, mas aconteceu.
A semana passou-se em part-time, ora em casa, ora a trabalhar. Ora com a mãe de plantão, ora com o pai. Todos os dias chegaram trabalhos da escola e essa foi a pior parte, mas agora acho que as saudades dos amigos já são tantas que tudo vai correr bem no regresso de segunda-feira.
O bom (!) é que não foi um drama, apesar de tudo, foi tranquila esta passagem da doença. Só houve febre na primeira noite e curiosamente, não houve comichões (excepto aquela primeira baba). Por via das dúvidas houve banho com farinha Maizena, e uma colherzinha de sobremesa de anti-histamínico ao deitar e isso deve ter feito toda a diferença.

(tinha dois "nús" artísticos para colocar neste post mas o blogger não está a colaborar...)