Achei piada, já não dá para ir a tempo (embora a última sessão ainda seja hoje), mas vivem-se tempos interessantes, todos temos muito que ensinar.
28 de janeiro de 2015
27 de janeiro de 2015
17 de janeiro de 2015
Mudar de vida
- Mãe, quando é que vamos tirar uns dias?
- Tiras uns dias para quê?
- Para irmos de férias.
-Queres ir de férias porquê?
- Porque estou farto de estar em casa!...
Doenças que apanham períodos de férias transformam-se em tempos estranhos sem significado, sem vontade, sem alegria, sem coisa nenhuma. Tempo que não é produtivo. Necessário sim, para recuperar mas parece que a vida pára. Que continua lá fora, para os outros, mas, que nos exclui a nós.
Voltar ao normal é mais do que desejado, é essencial, é urgente.
14 de janeiro de 2015
Sou um Homem!
Sentei o G no colo e mostrei-lhe este filme, fui traduzindo à medida que fomos vendo. Ele ria, também com um misto de "embaraço" por causa das manifestações de carinho. No momento mais duro traduzi a ordem e, no reflexo do écran, vi-lhe o rosto ficar sério. Olhou para mim porque deixou de perceber, fingi que não vi, continuou em suspenso à espera das reacções e no fim, quando tudo passou, falámos sobre como se tratam as meninas e os amigos.
Eu, sempre que vejo, fico com uma lágrima a querer saltar, é bom saber que em algumas partes do mundo, as crianças vão crescendo saudavelmente. Também sei que noutras partes do mundo eles não hesitariam mesmo por ser para as cameras... como dizia o outro senhor, vale a pena pensar nisto.
13 de janeiro de 2015
Conversas
- Mãe, posso telefonar ao A.?
Eu ligo à mãe do A. que também já está habituada a estas conversas que eles têm que ter de vez em quando.
Eles conversam (têm os dois 5 anos):
- A., viste o episódio da Batalha do Livro?
- Do Jake?
- Sim, viste?
- Ainda não!
(Silêncio) Calculo que o meu não saiba o que dizer porque o amigo ainda não viu os desenhos animados.
- Pergunta-lhe se ele está melhor. - Sugiro
- Estás melhor A.?
- Estou.
- Também estás a tomar o rumédio?
- Sim.
- E gostas?
- Não, sabe mal.
- Pois sabe mas eu ganho uma carteirinha de cromos sempre que tomar o rumédio.
- Ah... boa ideia!...
E pronto, calculo que a mãe do A. não atenda o telefone das próximas vezes.
12 de janeiro de 2015
Da Pneumonia e da Objectividade
A maternidade é uma injecção de maturidade que recebemos sem
aviso no dia em que a criança sai de dentro de nós, ou em alguns casos, no dia
em que o teste e gravidez dá positivo. É como um balde de água que nos cai em
cima, e, a partir dali passamos a viver sempre molhadas e geladas e não temos
nem a noção que podemos secar-nos e mudar de roupa porque não faz mal nenhum
pensarmos um bocadinho em nós.
A maternidade dá-nos uma nova perspectiva sobre a vida, o
futuro, e principalmente, o passado. Em menos de um fósforo, tudo aquilo em que tínhamos a certeza que sobre educação os nossos
pais estavam completamente errados, altera-se. A ponto de mesmo não concordando
(porque estimamos profundamente os nossos auto-infligidos traumas), reconhecemos
que fizeram o melhor que sabiam, porque nos amaram.
A maternidade tira-nos a objectividade, tira-nos também o
sono. Se antes, depois de um dia cansativo dormíamos tão profundamente que um
comboio podia passar junto à cama sem darmos por isso, agora podemos não dormir
há quatro dias que mesmo assim despertamos com uma simples respiração mais profunda da
nossa cria, no quarto ao lado.
Ficamos a vê-los dormir em adoração e maravilhamo-nos com a
nossa capacidade e ter criado uma tão maravilhosamente bela criatura. Não há no
mundo coisa mais perfeita.
Como dizia, perdemos a objectividade. É assim que é suposto funcionar.
No dia em que a pneumonia foi detectada ao G, a médica
recomendou 10 dias sem sair de casa, e sem contacto nenhum com quem quer que
fosse que apresentasse sinais de gripe. Assim foi.
No trabalho perguntavam-me por ele, e eu, mãe nada dada a
essas coisas de pôr o pintainho debaixo da asa, e com medo de criar uma flor de
estufa, dizia que lá para o décimo dia já iria à escola. Ouvi coisas como: “oh,
vê lá, está tanto frio, nem tanto ao mar nem tanto à terra”. Da escola fui
sabendo de outros casos que iam e vinham do médico para reavaliação. À minha
volta vi mães que ao primeiro espirro enfiavam a criança em casa por três e quatro
dias. E comecei a duvidar deste meu “desembaraço”. Comecei a pensar que já não
era desembaraço, era imprudência mesmo.
Dez alucinantes dias preso em casa. Ao oitavo dia começa a
espirrar e surge a boa da ranhoca. Ao décimo primeiro dia (sábado) sai um pouco à rua e ao décimo segundo dia (domingo) também. Surge um pouco de tosse. Injurio-me mentalmente. Que
raio de mãe sou eu? Que mãe no seu perfeito juízo age como se de vulgar gripe
se tratasse? Caio em mim e reconheço, o tal do “nem tanto à terra, nem tanto ao
mar”. Agora retomo a objectividade e penso como uma mãe perfeita, pondero o
resto do Inverno dentro de casa. Para o ano proponho à escola um período de
hibernação.
É fácil perdermo-nos no exagero, mas às vezes, no meio de
todo um mar de emoções, culpas, desejos, contradições, preocupações (…) é mesmo
difícil perceber onde está o equilíbrio.
Apelando a uma objectividade e a uma lucidez que nem sempre alcanço, espero ter a capacidade de fazer escolhas equilibradas no que
toca ao meu filho. Seja em relação à saúde, seja em relação a tudo o resto.
Afinal uma mãe perfeita nunca erra e a sua cria nunca sofre com as suas
decisões… Pois!...
Seguem-se mais um ou dois dias de adaptação à verdadeira
temperatura do Inverno e depois levamos com a vida real
em cima que até andamos de lado.
Tem que ser.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
