12 de janeiro de 2015

Da Pneumonia e da Objectividade

A maternidade é uma injecção de maturidade que recebemos sem aviso no dia em que a criança sai de dentro de nós, ou em alguns casos, no dia em que o teste e gravidez dá positivo. É como um balde de água que nos cai em cima, e, a partir dali passamos a viver sempre molhadas e geladas e não temos nem a noção que podemos secar-nos e mudar de roupa porque não faz mal nenhum pensarmos um bocadinho em nós.

A maternidade dá-nos uma nova perspectiva sobre a vida, o futuro, e principalmente, o passado. Em menos de um fósforo, tudo aquilo em que tínhamos a certeza que sobre educação os nossos pais estavam completamente errados, altera-se. A ponto de mesmo não concordando (porque estimamos profundamente os nossos auto-infligidos traumas), reconhecemos que fizeram o melhor que sabiam, porque nos amaram.

A maternidade tira-nos a objectividade, tira-nos também o sono. Se antes, depois de um dia cansativo dormíamos tão profundamente que um comboio podia passar junto à cama sem darmos por isso, agora podemos não dormir há quatro dias que mesmo assim despertamos com uma simples respiração mais profunda da nossa cria, no quarto ao lado.
Ficamos a vê-los dormir em adoração e maravilhamo-nos com a nossa capacidade e ter criado uma tão maravilhosamente bela criatura. Não há no mundo coisa mais perfeita.
Como dizia, perdemos a objectividade. É assim que é suposto funcionar.

No dia em que a pneumonia foi detectada ao G, a médica recomendou 10 dias sem sair de casa, e sem contacto nenhum com quem quer que fosse que apresentasse sinais de gripe. Assim foi.
No trabalho perguntavam-me por ele, e eu, mãe nada dada a essas coisas de pôr o pintainho debaixo da asa, e com medo de criar uma flor de estufa, dizia que lá para o décimo dia já iria à escola. Ouvi coisas como: “oh, vê lá, está tanto frio, nem tanto ao mar nem tanto à terra”. Da escola fui sabendo de outros casos que iam e vinham do médico para reavaliação. À minha volta vi mães que ao primeiro espirro enfiavam a criança em casa por três e quatro dias. E comecei a duvidar deste meu “desembaraço”. Comecei a pensar que já não era desembaraço, era imprudência mesmo.

Dez alucinantes dias preso em casa. Ao oitavo dia começa a espirrar e surge a boa da ranhoca. Ao décimo primeiro dia (sábado) sai um pouco à rua e ao décimo segundo dia (domingo) também. Surge um pouco de tosse. Injurio-me mentalmente. Que raio de mãe sou eu? Que mãe no seu perfeito juízo age como se de vulgar gripe se tratasse? Caio em mim e reconheço, o tal do “nem tanto à terra, nem tanto ao mar”. Agora retomo a objectividade e penso como uma mãe perfeita, pondero o resto do Inverno dentro de casa. Para o ano proponho à escola um período de hibernação.

É fácil perdermo-nos no exagero, mas às vezes, no meio de todo um mar de emoções, culpas, desejos, contradições, preocupações (…) é mesmo difícil perceber onde está o equilíbrio.  
Apelando a uma objectividade e a uma lucidez que nem sempre alcanço, espero ter a capacidade de fazer escolhas equilibradas no que toca ao meu filho. Seja em relação à saúde, seja em relação a tudo o resto. Afinal uma mãe perfeita nunca erra e a sua cria nunca sofre com as suas decisões… Pois!...


Seguem-se mais um ou dois dias de adaptação à verdadeira temperatura do Inverno e depois levamos com a vida real em cima que até andamos de lado. 
Tem que ser. 

10 de janeiro de 2015

Frio, muito frio


A imagem já é da outra semana mas é como se fosse de hoje. 
Quando ninguém a vê, quando ninguém a ouve, é certo e sabido que ela anda a fazer pela vida. 
Imaginamos o frio que está lá fora só de observar a gata.

8 de janeiro de 2015

2014

Ainda nos trouxe festas de anos no parque





Idas ao Teatro

Passeios na Praia


Passeios no Campo



Festas de Natal



Constatações importantes por parte da nossa criança

E uma espera quase em desespero pelo Pai Natal que nunca mais chegava

É hoje!

 É hoje, encho-me de coragem e abro o blog. Se estiver à espera do texto perfeito para recomeçar, desconfio que pode nem ser este ano.

Não é pacífico, nunca é. Estas paragens que a vida por vezes nos traz e o quanto tentamos que não interfiram com o nosso eu interior.
Mas aconteceu, a vida impôs-se e há sempre alguma parte de nós que tem que ceder. Penso nos três meses que passaram como sempre fui pensando a cada pequeno acontecimento, a cada foto, a cada conversa, houve sempre tanto para partilhar. 
Depois veio a vontade de mudar tudo, pensei começar qualquer coisa nova, começar a separar as águas... o pior é o tempo. Mas quem sabe? talvez um dia consiga, aos poucos... Pudesse eu só fazer isto.

E três meses passaram-se num piscar de olhos. 
Aniversários, marcos de crescimento, conversas hilariantes, pequenos momentos de cortar a respiração. Crescer, viver é tudo isto. Quando se é pequeno, cada minuto, cada hora é uma eternidade (e então quando se espera pela Pai Natal...), quando se é mais velho, cada ano passa a correr.
Entretanto, familiares partiram, e os que permanecem no lugar da frente estão cada vez mais frágeis. E eu penso em tudo o que vai com eles, é inevitável. Não é segredo nenhum, já aqui partilhei no quanto acredito que voltamos à vida, que a humanidade de cada um vai sendo a soma de todas as experiências, voltamos e adicionamos conhecimento até termos a "imagem completa". E cada uma dessas novas viagens começará sempre de reconhecimento, no sentido de passarmos no caminho  para nos lembrarmos que já ali estivemos. E seremos cada vez melhores.

Por estes dias uma pausa forçada permite-me o tempo suficiente para parar e pensar um bocadinho. Há sempre períodos em que somos mais contemplativos,  gosto especialmente destas fases, não das pausas forçadas, claro, refiro-me aos momentos de reflexão que nos ajudam a crescer, e me deixam espaço para vir aqui, tratar da escrita.
A pausa forçada deve-se à pneumonia que a criança cá de casa "apanhou" (como se tivesse andado a correr atrás). Dez dias sem pôr o pé na rua, e, vendo bem o frio que tem estado, não chateia muito cumprir as ordens do médico. O pior é tomar o Clavamox que até já trocámos pelo Augmentin (porque é ligeiramente mais doce mas não adiantou nada), a guerra e o desespero têm sido tão grandes que me ocorreu chantagear descaradamente a criança, contornamos as batalhas com a  mesma falta de vergonha que ele demonstra ao tomar avidamente o remédio a troco de cromos das Tartarugas Ninja. Resulta, é o que interessa.
A pneumonia apanhou-nos desprevenidos (acho que ninguém espera realmente uma coisa destas), só à segunda ida às urgências é que lhe fizeram as análises e o colocaram a soro. O raio-X confirmou.
Febres a 40º por quatro dias que me deixaram fora de mim. Quando veio o diagnóstico juntamente com o tratamento é que começámos a conseguir respirar. E apesar de tudo, dia 1 de Janeiro foi um bom começo porque foi a primeira noite sem febre.
Parece que este Inverno está mesmo a ser o do nosso descontentamento. De quantas pessoas já ouvimos nós falar que tiveram pneumonia este ano?

E 2015, para quem gosta destas coisas, dizem, será regido por Marte e a sua impulsividade... vamos ver. Todos temos as nossas guerras, pode ser que não seja nada de especial.
Ontem as notícias já nos deram conta da grande violência que parece começar a ser cartão de visita a cada chegada de novo ano. Se por curiosidade formos ver outros anos regidos por Marte... (aqui). Mas o que interessa é o mundo que vamos construindo. O passado importa lembrar para não se repetirem os erros.
Seja o que for que 2015 nos trouxer, sabemos que sairemos dele bem mais fortes.

Para já, eu e ele , resumidos à nossa insignificância na contribuição diária para o mundo, passamos o dia a ver TV, a ler histórias, a treinar letras e números, a colar cromos e a melhorar.
Este Janeiro não vai ser como os outros, parece-me que vai passar bem depressa.

Primeiro desejo (egoista) para o novo ano: ter tempo para vir todos os dias ao blog.

11 de outubro de 2014

A verdade sobre a saúde

Há cerca de um mês "celebraram-se" os 35 anos do Serviço Nacional  de Saúde. Mais ou menos pela mesma altura recebi em casa uma carta do Centro de Saúde a dizer que a minha médica de família tinha assumido outras funções e por isso não poderia mais ter o nosso processo a seu cargo. Transferiram o nosso processo para a Brandoa, enviaram-me a carta para casa mas transferiram o processo para a Brandoa. Se calhar, transferir o processo para a área de residência do utente é algo que vai para além das competências do Centro de Saúde.
É curioso pensar que nos Estados Unidos (onde os cuidados de saúde só existem para quem tem dinheiro para pagar um seguro) trabalham para terem um serviço nacional de saúde,  e que por cá segue-se exactamente pelo caminho oposto, cada vez mais as pessoas só conseguem os cuidados de que precisam através do seguro. 
Talvez devêssemos ter escolha, uma vez que as reformas também estão cada vez mais pequenas, talvez devêssemos escolher pagar segurança social e ter serviço de saúde e reforma ou não pagar e ter seguro e PPRs...

Mas este post não é por causa disso, este post serve para divulgar um documentário sobre o Cancro.



Vivemos numa época em que as pessoas estão tão envolvidas nos esquemas médicos e farmacêuticos que não conseguem já pensar em cura sem pensar em medicamentos, 
A  ideia da alimentação, vitaminas, ervas que durante milhares de anos preveniram e curaram doenças, foi-nos sendo afastada aos poucos.
Os próprios médicos não permitem já aos seus doentes a sua própria capacidade de cura, cada vez mais tratar sintomas é uma mina de ouro, uma receita para cada sintoma e a farmacêutica esfrega as mãos de contente. Não interessa a cura, interessa tratar os sintomas.
Sejam tóxicos ou não, com efeitos secundários do outro mundo ou à base de ervas a preços mirabolantes super-hiper inflacionados, a verdade é que quem dita as regras tem também o poder legal para criar esta ilusão de valor. A cura não é rentável.

A medicina já não é séria, A medicina já não quer saber de encontrar a cura, já não quer saber a causa dos sintomas. Trata-se cancro com radiação como se a falta de radiação fosse a causa do cancro.
O que a natureza tem para nos oferecer, e que sempre nos tratou, é agora perigoso. As farmacêuticas são donas da verdade e os seus discípulos são os médicos.

A começar a 13 de Outubro, um documentário em 11 partes. A Verdade Sobre o Cancro, on-line, gratuíto e com inscrição aqui.
Cada "episódio" estará disponível por 24 horas, para ver à hora de maior conveniência. 

A vida

Algo aconteceu a uns amigos nossos, um coraçãozinho pequenino que deixou de bater a poucos dias do nascimento.
Isto  é devastador em tantos sentidos.
Nenhuma palavra, nenhum gesto, nenhuma presença pode apaziguar a dor e a revolta que os destrói por dentro. Algo negro e pesado se abateu sobre eles. Não há quem fique indiferente. E quem tem filhos repensa um pouco as atitudes do dia a dia. A sorte que às vezes temos e que tomamos por garantida.
A dor, nem a consigo imaginar, e sinceramente, nem quero. A perda, o vazio e o inevitável "porquê?". Quem sabe a razão das coisas más acontecerem a pessoas boas? Onde está o sentido? Onde está a justiça?
O mundo não é um lugar bom. O sol não pode brilhar e o céu não pode sorrir quando um bebé morre.