15 de outubro de 2013

Quebrando barreiras



Dia 10 de Outubro foi dia Mundial da Saúde Mental. 
Não tenho nenhum caso de Alzheimer na família, tenho dois casos de Parkinson. Mas doença mental é doença mental e ver um ser humano degenerar diante dos nossos olhos é, no mínimo, esmagador.
Conheço um caso de Alzheimer que me é próximo de alguém que conheci toda a vida e que hoje não é nem uma sombra do homem que foi.

Este "filme" é de 2009, será difícil de ver para quem lhe faz impressão a velhice e a degeneração física do ser humano mas será uma preciosidade para quem quer perceber e para quem se debate diariamente e quer ajudar e quer encontrar respostas e procura incessantemente o ser que ficou algures pelo caminho que não consegue sair nem para um lado nem para o outro. 

A Doença de Alzheimer é a  principal causa de demência a partir dos 60 anos. 
Há que perceber que em média o intervalo de tempo entre o diagnóstico e a ultima fase é de cerca de 8/9 anos. Que tem um tratamento mas é incurável.
Sofrer de Alzheimer é perder todo o contacto com a realidade, deixar de se lembrar para que servem os objectos de todos os dias, de como se executam certos movimentos e de saber como se dizem certas palavras. 
Esta é a explicaçãogeral e há doentes cujos sintomas diferem. É apenas uma ajuda para a compreensão do filme.

Tenho todo o respeito e admiração por quem se dedica a ajudar.
Se puderem não deixem de ver.

Sem palavras

É como diz a expressão: "há coisas que não lembram ao menino Jesus".


11 de outubro de 2013

Repet 1

Desde que o fui buscar hoje à escola que não para (com sotaque e tudo):
- pi pi ri pi "piradjinha", ela tá "máluca", ela tá "doidjinha"...
E repete.

Conversas de avó e neto

Ontem ao final da tarde o G foi com a avó ao supermercado. A alguma distância ainda da hora do jantar a criança já com um ratinho a roer ou talvez alguma gulodice pediu bolachas. A avó com a condição de ele só comer uma ou duas lá lhe fez a vontade.
Quando saíram da loja quis abrir o pacote e a avó pediu-lhe uma bolacha. Ele deu a bolacha disse:
- Tu ficas gorda, não podes comer! - as bolachas apesar de pequeninas parece que tinham chocolate num dos lados.
E o G continuou a comer umas a seguir a outras. A  avó vendo o caso mal parado começou a pedir mais:
- Dá cá outra.
- Não, gorda! - atirou o G
- Não me importo, dá cá. Eu fico gorda e tu? tu não ficas?
Ele respondeu imediatamente, defendendo-se:
- Eu estou a crescer!

Ele aprendeu por estes dias a chamar gorda(o). Não sei com quem, ainda não tive hipótese de descobrir. No entanto já o alertei para o facto de apesar de ser verdade, porque é constatação, há pessoas que não lidam bem com essa verdade pura. Já lhe expliquei que as pessoas não são gordas porque o escolham ser(!), ou tão pouco se sintam felizes assim. Tentei explicar-lhe que não o deve fazer porque magoa.
Não tenho conseguido chegar ao objectivo até porque se para nós a explicação racional não é plausível, quanto mais dentro da cabeça de uma criança de 3/4 anos.
Para ele existe a verdade (a "coisa boa") e começa a existir a mentira (a "coisa má"), haverá alguma coisa no meio?

E não é?


Mas todos temos as mesmas teorias, o pior é aplicá-las.

10 de outubro de 2013

Honrar quem nos honra



A marcha de homenagem aos bombeiros era (só) isso mesmo, uma marcha de homenagem aos bombeiros.
Foi assim que me cruzei com "ela" na Avenida da Liberdade. Calhou, nem sabia. No entanto, chocou-me ou entristeceu-me ver tão pouca gente. Acho que ninguém ficou indiferente aos acontecimentos deste Verão, ao número de bombeiros que deu (que deram) a vida no combate aos incêndios, na protecção ao próximo.
E desiludiu-me, desiludiram-me as notícias das guerras entre a Liga (LBP) e Associação Nacional (ANBP). 
Desiludiu-me o facto de as pessoas (que são no fundo o mais importante) de nada valerem nestas guerras, da troca de galhardetes, das acusações, dos (não) reconhecimentos, da credibilidade.
De tudo isto que saiam ensinamentos, que se apurem as razões destas baixas, as faltas de meios, as condições de segurança, a prevenção e vigilância. E depois, que se regulem as penas de uma vez por todas, que penas serão aplicadas e como. Que não caia tudo em saco roto. Que não tenha sido em vão.
Valerão isso pelo menos?

4 de outubro de 2013

Dia Mundial do Animal


Parece triste. Mas talvez esteja apenas absorto.
Habita um segundo andar.
Conheço-o aqui das redondezas e encontro-o a passear algumas vezes.
Acho que aprendeu a aceitar esta vida se é que alguma vez conheceu ou desejou outra.
No fundo, envelheceu. E assim como nós, aprendeu que se encara a vida conforme a idade. Talvez nesta fase as suas prioridade sejam apenas comida no prato e um sitio quente para dormir. E já não é nada mau.
Algum carinho e o conforto de um telhado. Assim o pudessem ter todos. Assim o pudéssemos ter todos.