19 de setembro de 2013

Em tempo de eleições



Em tempo de eleições não se limpam argumentos, arranjam-se estradas, pintam-se passadeiras, refazem-se calçadas inteiras, arranja-se a iluminação, replantam-se jardins, penduram-se cartazes, limpam-se paredes e consulta-se a população.
Por acaso foi o PS, podia ter sido outro qualquer. Chegaram pelas 11 da manhã e foram-se pelo meio dia.
As pessoas eram convidadas a escrever a sua sugestão. Não fosse sabermos no que a coisa dá, até seria uma ideia interessante.
Percebi que que maioritariamente as pessoas sentem falta de sinalética, árvores ou o seu arranjo/poda e cães com trela. 
Não moro aqui, apenas trabalho e como tal, passo mais horas diurnas por aqui do que na freguesia onde moro e gostaria de fazer uma sugestão (ainda que ninguém destas lides a venha alguma vez a ler).
É um bairro grande, eu sei, mas Benfica precisa urgentemente e em grande escala de limpeza. Limpeza urbana massiva. Maior frequência de despejo de contentores de reciclagem, é uma porcaria e um mau cheiro que não se pode. E depois, os cães, ou os donos. Os donos que vão levar os cãezinhos a fazer os cocós e deixam ficar o presente para o peão mais distraído o levar agarrado à sola do sapato. O meu filho foi um deles.
É toda uma nova dimensão de porcaria, não me lembro de ver tanto cocó de cão em toda a minha vida.
Por isso, peço ou proponho limpeza e multas aos donos, muitas multas. A legislação existe mas ninguém a cumpre. Assim não vale a pena.


E porque ontem foi dia (e noite) de lua cheia


Aqui fica um registo. Não estava tão escuro (quase oito da noite), o contraste é que foi necessário para a lente focar a lua no céu.


E às 7 da manhã, quase a desaparecer nas nuvens, ainda estava assim. Linda!

Os trabalhos para a escola

Com a aproximação do Dia Internacional da Paz, com o prazo de entrega do trabalho para hoje e a faltar ainda a frase sobre o tema, ontem voltei à carga:

- Então G, afinal sabes ou não o que é a Paz?
Ele receptivo à conversa explicou-me:
- Olha, é assim, quando dizemos [e colocou a sua melhor cara de zanga] "Deixa-me sossegado! Deixa-me sozinho!" - virou costa como se se fosse embora e simulou uma saída brusca. Depois voltou a virar-se, sorriu e disse:
- É assim!
- Mas isso é zangado, a Paz é uma coisa tranquila, e a pomba o que tem a ver com essa Paz? - perguntei.
- A Paz é uma coisa para fazer a pomba no dia da Paz!
Não é mentira, por causa da Paz temos que decorar a pomba para o dia da Paz. Não estava a conseguir nada.

Insisti.
- Mas a A [educadora], na sala, falou convosco sobre a Paz. Sabes dizer o que ela disse?
Ele fez uma cara embaraçada e disse que não se lembrava.
- E se eu perguntar ao D [melhor amigo] o que é a Paz o que é que achas que ele me responde?
- Não sei! - Disse encolhendo os ombros.
Bolas!
- E se eu perguntar à A [educadora] o que é que achas que ela me responde? 
Ele abriu muito os olhos e fazendo aquela cara de quem descobriu algo fantástico disse:
- Boa mamã, a A sabe de certeza o que é. Podes perguntar no dia das perguntas!

Resolvi abordar o tema pelo outro lado.
- Olha, e a Guerra? Sabes o que é a Guerra?
- Sei, Guerra é uma palavra que começa por G.
Confesso que nesta altura já não conseguia fazer cara séria mas se começasse a rir estragava tudo.
- Guerra é quando as pessoas lutam, e para haver Paz não se pode andar à luta.
- "Não andar à luta" é regra da sala e é a minha especialidade! 
- Então e quando há Guerra?
- Se houver Guerra, se alguém portar mal, não há Paz!  - Disse.
E eu comecei a ver uma luzinha ao fundo do túnel.
Ele continuou:
- Paz é para todos ficarem amiguinhos e falarem uns com os outros, mas, - espetou o indicador- um de cada vez! E ficam todos em Paz quando deixam de lutar.
- E porque é que achas que "Não andar à luta" é regra da sala?
- Para a sala ficar em Paz!

Trabalho cumprido!




18 de setembro de 2013

Um debate em que todos concordam

Da Paz e dos Sorrisos

Na escola prepara-se o tema da Paz, para casa vem uma mão recortada em branco para decorar sob a mesma temática e escrever uma frase.
No ensaio da frase perguntei-lhe:
- G, o que é a Paz?
- A Paz é uma pomba branca!
- A pomba é o símbolo da paz, é o desenho que representa a Paz. Mas a Paz, sabes o que é?
Ele pensou um pouco e sem muita vontade respondeu:
- É assim, por exemplo, quando alguém diz "deixa-me em paz"!
Pronto, mensagem recebida.

Ontem na escola mostrou-me o desenho que fez do T e o desenho que o T fez dele.
No desenho que ele fez, por baixo da cabeça, junto ao pescoço estavam duas semicircunferências (uma de cada lado). Perguntei-lhe o que eram.
-São os ombros! - (óbvio!)
- Ah, e fizeste os olhos clarinhos, boa, o T tem olhos claros!
Ele aproximou-se apontou para o desenho e disse:
- E o sorriso [um sorriso enorme de orelha a orelha] é como tu!
E já não precisei de perguntar mais nada.


16 de setembro de 2013

Ontem foi dia Internacional da Democracia

A propósito disso, junto aqui um email que recebi há dias e que reza assim:


"Cruzei-me há pouco com um colega na rua e parámos a comentar os recentes acontecimentos.
Dizia-me ele que já não acreditava em qualquer solução democrática.
Perante essa desilusão , perguntei-lhe porquê e a resposta deixou-me a meditar:
-Porque a primeira consulta democrática de que há memória foi a de Pôncio Pilatos ao povo:
- "Quem quereis que vos solte, Cristo ou Barrabás?"
E o povo escolheu o ladrão..."

A campanha eleitoral, lá para os meus lados, ontem esteve ao rubro. Andaram todos pelas mesmas ruas, com o mesmo aparato, com a mesma conversa e quase ao mesmo tempo.
Sinceramente nem sei se vou votar. Longe vai o tempo em que não perdoava uma, votar era um direito pelo qual muita gente tinha lutado e não podíamos tomar como garantido um acto que custou a vida a tantos e que com ele fazemos valer a nossa escolha e o nosso papel de cidadãos activos.... blá, blá, blá.
É verdade, blá, blá, blá!
Seria tudo muito bonito se fosse assim.
 Mas hoje está lá Fulano e amanhã quando para lá for Sicrano, os donos dos partidos, e do dinheiro, e dos bancos e de sei lá mais o quê vão-lhe cobrar os favores todos (aos partidos porque só os partidos é que contam cá na nossa democracia) por terem ajudado à eleição e porque chegaram alto para poder mandar, e lá se vai a democracia, e Sicrano lá vai ter que cumprir com tudo o que acordou e desfalcar mais um bocadinho o povo, e afinal um novo resgate/empréstimo/o que for é que é, porque não estava a ver bem a coisa e porque o Fulano deixou aquilo num buraco sem fundo... E com Beltrano a mesma coisa!

O que eu acho, é que eles precisam todos de um susto, um bom castigo, como se faz aos miúdos, para eles aprenderem, é preciso educar esta gente, só não sei como, ainda estou a descobrir como se faz com o meu filho mas que vejo algumas semelhanças de comportamento, isso vejo, principalmente nas birras ( e até acho que o puto se porta melhor).