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| imagem retirada da net |
13 de maio de 2013
10 de maio de 2013
Em volta da infância
Durante a gravidez, como qualquer futura mãe, procurei tudo e mais alguma coisa sobre todos os temas inerentes à condição.
Na altura descobri um site -www.parenting.com - cuja newsletter continuo a receber. É um site divertido com muitos testemunhos sobre como todas as situações podem correr quando envolvem crianças. Nada de muito cientifico mas muito agradável.
Como lá por casa continuamos com a saga da chucha - nada de dramático, apenas uma chantagem ou outra de vez em quando :) - quando vejo referências ao assunto, vou espreitar mais a fundo.
Encontrei as dez ideias para os levar a desistir da chucha (aqui se interessar). A minha preferida envolve a mais recente fada, a da chucha (irmã da fada dos dentinhos), ou o balão que leva a chucha para viver numa nuvem.
Também há ideia de ir com ele ao quartel dos bombeiros entregar a chucha porque Deus sabe como os bombeiros adoram chuchas de meninos crescidos!
Assuntos para pensar.
E já agora, na lista dos produtos mais estranhos para bebé, encontrei duas coisas que não são nada mal pensadas
A hipótese de poder pendurar o puto quando temos mesmo que ir à casa de banho no centro comercial - em vez de o deixar cá fora no carrinho (que não cabe dentro da divisória) e termos que fazer xixi de porta aberta porque alguém pode agarrar na criança e fugir....
E um aspirador que é um carrinho que ele pode usar sozinho em casa - esta é brilhante... já não vou é a tempo... será que fazem em tamanhos até à adolescência?
9 de maio de 2013
Quinta-feira de Espiga
Aqui pelo bairro era só o que se via esta manhã, baldes e baldes de espigas para que a tradição nos permita acreditar que durante todo o ano o pão não vai faltar... olha, dizia a minha avó materna (conta a minha mãe) que quem faz um verso sem querer, vê a pessoa que mais quer ver.
Eu olho em volta, vejo uma mesa cheia de trabalho e não vejo ninguém!
Pudesse a vida permitir-me o tempo para tudo o que quero e acho que viveria uma realidade completamente diferente. A correria diária suga-me a energia e tudo o que resta depois das responsabilidades, obrigações, compromissos, é o pouco que consigo dedicar ao meu pequeno pirilampo. Embora para mim ele venha e virá sempre em primeiro lugar, muitas vezes não é isso que deixo ver, não é de propósito, é por estar envolvida na vida, é por achar que se não fizer o jantar ele não comerá, se não lavar a roupa ele não terá roupa limpa para vestir, se não for ao supermercado não terei nada em casa, se não trabalhar não terei dinheiro para o sustentar...
Não sou a única, sei que não, e sei que apesar de tudo tenho muita sorte, mas, seria tão bom que todos pudéssemos ter um pouco mais daquilo que gostamos. Estamos todos com medo do que virá.
Dizem, os "visionários", dizem as novas correntes de pensamento ou religião (ou modo de vida, sei lá) que deveríamos ser cada vez mais como todos os outros animais ao cimo da terra, os pássaros nunca vão dormir preocupados com o facto de no dia seguinte terem ou não alimento, eles confiam e a natureza providencia. É bonito, é muito bonito mas estamos longe.
É acima de tudo o medo, quanto mais nos "agarramos" mais a vida nos força a soltarmos. Aprendem-se grandes lições, não há dúvida, e acredito que estes últimos tempos que vivemos neste país têm ensinado muita coisa a muita gente. Eu, eu já aprendi algumas coisas, já aprendi que mais de metade de tudo aquilo que achava essencial era pura ilusão, e não falo só do material. O simples é tão mais fácil. A perda muitas vezes pode ser uma bênção (não me interpretem mal, depende da perda claro) está tudo "no relativo". O mais difícil é quando a perda é devastadora, se toda a família fica sem emprego, aí, não consigo nem imaginar que ensinamento se esconderá por de trás.
Tento sempre fazer o exercício do "tudo acontece por alguma razão", mas confesso que ás vezes não consigo mesmo vislumbrar "um boi" (ou a ponta de um corno - se preferirem).
Todos os dias novas realidades se dão a conhecer sobre famílias que perderam a casa, em que todos perderam emprego, em que as crianças quase só comem na escola... que poderá a vida querer dizer? Estaremos tão dentro e tão próximos do problema que não conseguimos ver mais nada? Será para criar humildade, será para gerar empatia e compaixão? Mas a que preço?
É verdade, a vida quando nos quer ensinar algo começa aos poucos, suavemente, devagar, se não escutarmos, ela insiste um bocadinho com mais força e por aí adiante até darmos ouvidos ou até perdermos tudo.
Tudo isto pode parecer uma grande parvoíce mas é nisto que encontro sentido para a vida. Temos o poder de fazer as nossas escolhas mas às vezes o buraco que criamos para nos metermos torna-se tão grande que não conseguimos ver mais nada em volta.
A dimensão da emoção é que nos impede de agir.
E em última-última instancia tudo tem solução, quando perdemos tudo perdemos também o medo, a entrega é total, e se tivermos sorte, não nos faltará gente em volta para nos ajudar a erguer.
É inevitável, parece que já nem conseguimos pensar de outra forma, ia apenas escrever que queria ter mais tempo para mim, para o meu filho, para o meu blog, para a minha casa. Ia escrever que quando nos distanciamos emocionalmente e deixamos a razão à vontade muitas vezes encontramos pequenos caminhos que ajudam a ver a imagem grande. Ia escrever que alguém disse (um actor americano, acho eu) que a oportunidade não bate à porta mas aparece quando derrubamos a porta, quando destruímos aquilo que nos contém.
O que será o futuro? O futuro será como nós o construirmos.
Dizem que o "português" pensa pequeno mas grão a grão enche a galinha o papo e de pequeno futuro em pequeno futuro construiremos algo grande. É preciso não sucumbir, é preciso resiliência, chegaremos onde tivermos que chegar.
Haja saúde, certo?
4 de maio de 2013
A casinha de bonecas
Encontrei-a há uns anos (uns nove ou dez), assim que a vi apaixonei-me perdidamente.
Não sei se a ideia/esperança de um dia vir a ter uma filha me influenciou de alguma forma mas, a menina dentro de mim falou bem alto - gritou até, e o plano formou-se ali naquele momento, construir um pequeno lar, peça a peça, eu ía construir cada pequeno objecto desta casa. Ía finalmente ter a minha casinha de bonecas.
Enquanto cresci tive alguns objectos icónicos das décadas que se viveram (acho que todos nós tivemos), alguns guardei especialmente para a minha "filha", uma ou outra mala, bonecas, ganchos ou molas de cabelo com flores enormes, colares ou brincos característicos daqueles anos 80, a boneca "careca" qual bebé que fez as delícias de muitas de nós. Enfim, coisas dessas.
O tempo foi passando, a filha não veio e hoje é tudo diferente. Para o meu filho fica o meu primeiro telemóvel (religiosamente guardado), o meu primeiro (e único) jogo electrónico (predecessor dos "tetris", "nintendos", "Marios" e "PSPs"), nada de valor que não seja de algum modo sentimental, se é que se pode chamar assim. O resto quem sabe, para uma neta se antes o tempo não se apoderar de tudo. Planos que fazemos à revelia da vida.
Ter uma casa de bonecas deixou de fazer parte do plano. Continuo apaixonada por ela, claro, e a tal menina pequenina continua cá dentro (algo destroçada) mas, hoje o foco é outro.
E hoje, a minha casinha de sonho tomou um banho de chuveiro e amanhã seguirá para alguém que sei que lhe dará finalmente a devida atenção, alguém que a completará e a transformará no tal lar. Alguém com o tempo e habilidade que um dia acreditei ter.
É estranho, está a custar-me imenso desfazer-me dela mas sei que preciso de o fazer... aqui está simplesmente estagnada à espera de algo que não virá. E alguém dizia que "é preciso deixar sair o velho para poder entrar o novo".
Pode parecer disparate mas espero sinceramente estar a dar-lhe o lar que ela merece.
Quem sabe, pode ser que daqui a uns tempos esteja a colocar aqui fotos de uma casinha completamente... habitada.
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