20 de fevereiro de 2013

19 de fevereiro de 2013

Filhos

Ontem o pai foi buscá-lo.
"- Sabes pai, quando tiver onze anos vou ter um maninho que chama António. É assim, é o três, depois é o quatro, depois é o cinco, depois é o seis... e quando for o onze vou ter um maninho."
 
Talvez ele saiba algo que eu não sei mas, a ser verdade, será de outra mãe. Não me estou a ver aos 50 anos grávida, cheia de força e vitalidade para começar tudo de novo. Talvez um último esforço agora, talvez, mas aos 50 não. Coisas mais estranhas já aconteceram sobre a terra, e o futuro, como se diz por aí, a Deus pertence.
 
Hoje de manhã enquanto o vestia ataquei de novo:
- G, olha o queixo cheio de baba, a chucha é mesmo uma porcaria.
Ele tirou-a, estendeu-a para mim.
- Toma, eu empresto ao meu maninho, é p'ó meu maninho.
Aceitei-a e coloquei-a em cima da cama
- Mas a mãe e o pai não vão ter  um bébé.
Ele olhou-me e franziu a sobrancelha: - Porquê?
- A mãe não tem dinheiro para comprar papa nem fraldas ao bébé, isso não é bom pois não?
Não respondeu.
 
Se eu gostaria? Gostaria sim, do mais fundo do meu ser e com todas as forças que tivesse que encontrar, mais por ele do que por mim, mas a vida, dizem, é sábia e essa sabedoria está-nos reservada para qualquer outra finalidade.
Sei o que foi crescer filha única, com os holofotes todos apontados, de ter que estar à altura das situações, de ter que chegar onde era esperado. Estar sob escrutínio não é fácil nem agradável, e nunca tive feitio para ser o centro das atenções.
Lembro-me de pedir um irmão, lembro-me de crescer sozinha.
Esse tempo já passou há muito mas lembro-me como se fosse ontem e queria melhor para o meu filho.
A atenção dos pais deve ser mais diluída, os filhos devem ter o espaço e o tempo de criar as suas asas.
Nós devemos poder concentrar-nos em vários pontos, ter sentimentos contraditórios e no mesmo dia conseguir superar várias provas e ganhar uma medalha (mental) por isso. Torna a vida mais interessante  e o passar o teste tem todo um novo significado. Uma única criança não deve ser o objecto da nossa "tirania" boa ou má. Não é saudável.
E depois o retorno, o retorno é a dobrar, que bom que deve ser.
Nota mental para mim, na próxima vida, começar cedo, independentemente do que nos dizem. Às vezes aquilo que achamos que é importante, não é.

18 de fevereiro de 2013

3 dias em casa


Ir à janela, fotografar as nuvens, e adivinhar a tempestade. Ler, ver televisão ou dormir. Os dias de descanso compulsivo são chatos é por isso que qualquer pessoa no seu juízo perfeito não descansa compulsivamente ( a não ser que devidamente policiada - não foi o meu caso, ou que esteja tão doente que nem se consiga mexer).
Descansei e não descansei, são dias a meio gás. Temos que descansar para ficar bem mas a culpa de estar em casa sem fazer nada, ataca, "estou aqui, tenho tempo, vou aproveitar!"
Adoro preguiçar, a sério, adoro ter tempo para mim, ler, escrever, fotografar, etc mas quando tenho que ficar quieta porque sim, é o fim da picada. Acho que até fico pior só porcausa da ansiedade de não fazer nada.
E acho que estou a dar em doida... e com quem me segue aqui, também.

Mezinhas



E lá ía eu direitinha em velocidade de cruzeiro quase quase a cruzar a linha da meta e vencer a constipação quando um gope de frio me enviou para onde eu não queria ir, a cama, e mais um dia em casa.
A tosse é o pior de tudo porque a tosse tira-nos as forças e a tranquilidade.
Quando era miúda, no alentejo, a minha tia-avó fazia-me o remédio que ainda adoro, rodelas fininhas de cenoura em açucar ou então, "esculpia" um buraco num nabo, transformava o nabo numa taça e colocava-lhe açucar, algum tempo depois, o xarope aparecia e no caso das cenouras, tomava xarope com cenouras e tudo.
Nunca me lembro de fazer estes xaropes, quando estou aflita recorro logo ao meu super-chá: em água a ferver coloco sabugueiro (flor), perpétua roxa, camomila, alecrim e carqueja (e às vezes gengibre e equinácea mas hoje não tinha), apago o lume e deixo repousar. Junto mel para adoçar. Por norma nunca adoço o chá ou o café excepto nestas alturas, recorro a tudo. Se não morro do mal, morro da cura.
Já agora, se alguém por aí estiver a sofrer do mesmo, juntar cerca de uma colher de chá de açafrão-das-indias a uma colher de sopa de mel, enrolar e comer aos bocadinhos como se se chupasse um rebuçado, parece que é uma grande ajuda para as inflamações da garganta.

16 de fevereiro de 2013

Uma fotografia por dia III

 
9. Guilty Pleasure
10. 3 O'clock
11. Entrance
12. Where you ate lunch

Somos e o que comemos

Sempre que por cá superamos uma qualquer maleita sem grande recurso a medicamentos, ficamos com aquele sensação boa de uma vitória reconfortante e inteligente. 
Se nos ajudarmos com uma alimentação saudável, com variedade e quantidade de nutrientes, é meio caminho andado para um sistema imunitário forte e resistente.
A dieta (alimentação) perfeita não existe, conta peso e medida é a formula de sucesso  para tudo na vida, e, o que é bom para mim pode não o ser para o meu marido ou para o meu filho. Somos todos diferentes com necessidades e gostos diferentes. Acho que se "escutarmos" o nosso organismo, facilmente descobrimos o que é adequado ou não para nós.

Desde que o G começou a comer da nossa comida  que tento procurar um equilibrio no que se consome cá em casa, não é fácil porque aos três anos, e depois de descobrir o chocolate, as salsichas e as batatas fritas, dificilmente está aberto a novas experiências. No entanto, não conheço nem conheci uma criança que gostasse mais de cenouras do que o meu filho.

 A primeira coisa a fazer é usar bons ingredientes e de preferencia biológicos, aqui há uns tempos li que a abóbora é uma espécie de "esponja" que os agricultores usam-cultivam mesmo fora de época para limpar e fortalecer os solos, retiram um boa quantidade de quimicos dos solos e deixam o terreno preparado para novas culturas. Tentei procurar na net alguma coisa que corroborasse esta informação mas, até agora, nada. Por isso, talvez valha a pena ter algum cuidado e prevenir, abóbora, pelo sim pelo não, só biológica.
Segundo ponto para uma boa alimentação, misturar sorrateiramente uns quantos super ingredientes na comida de todos os dias. Já que ingredientes diferentes trazem sabores diferentes que nem sempre são bem vindos, o truque é misturar pequenas porções.
O prato por excelência onde mais nos podemos aventurar neste tipo de invenções é a sopa. Acrescentar uma colher de sopa de cogumelos maitaké (ou shitaké, mas prefiro os primeiros), outra de algas (uso as nori) e uma colher de sopa de flocos de aveia (para vitaminas do grupoB) transforma a sopa de todos os dias num (tão em voga hoje em dia) super-alimento. Atenção, é uma colher de sopa, não mais. Os cogumelos (comprados secos) devem ser cortados em bocadinhos e colocar a porção de uma colher de sopa de molho cerca de 15/20 min antes de juntar na panela, as algas, cortadinhas também, uma colher de sopa na panela, e os flocos, só junto se a sopa fôr para ser consumida no máximo em duas refeições seguidas porque noto uma diferença de aroma não muito agradável quando  passa mais tempo ( mas pode ser mania minha, porque a aveia e a sopa não se estragam em 24 horas).

Enfim, a vida é feita de manias e de partilhas, não descobri a pólvora (até porque a receita não é minha) mas espero estar a partilhar algo útil. Tem sido bom para nós e agora com esta constipação que vou curar em três dias (hoje é o segundo) nada será deixado ao acaso.
Boas sopas.

Manhã de fim de semana


A mamã ficou um bocadinho mais na cama porque a constipação bateu forte e não perdoa. Ele trouxe grande parte dos seus bebés para verem televisão e como pai cuidadoso não facilitou, mantinha por cima para evitar que os meninos apanhem frio.
Mais tarde saiu com o pai dele, disse-me antes de sair, "mamã, as melhoras. Não te metas em sarilhos e não desligues a televisão!"
Eu, peguei nos netos e arrumei-os todos, ocupei o lugar, comi uma sopinha e ainda não desliguei a televisão. O canal continua no Disney Junior, gosto de ver a Drª Brinquedos e gosto de ver a Selva sobre rodas. Gosto do Carrifante, da Scootie e do Rinoni.
Sempre gostei de desenhos animados, o mundo é mais alegre, os problemas resolvem-se com um beijinho e uma gargalhada, os amigos são muitos, estão sempre presentes e as aventuras são uma constante. Descobrir assim mundo é o melhor da vida.