18 de setembro de 2012

Conversas

Ontem esquei-me de ver o que era o almoço na escola só me lembrei quando chegámos a casa e para não estar a ir á net resolvi arriscar:
- O que foi o teu almoço G?
- Sopa.
- E mais? Depois da sopa o que foi?
- Foi arroz mais coisas p'a mastigar!
Hoje fui tirar as dúvidas e fiquei a saber que foi arroz de cenoura e pataniscas de bacalhau, ele tinha razão.

Todos os dias quando chegamos a casa é uma guerra para sair do carro porque ele quer sempre sentar-se no lugar do condutor e fingir que conduz, mexe nos botões todos e apita.
E ontem, ao deitar, na marmelada do costume, a ver se fica mais uns minutos, agarrado a mim pergunta-me se já é crescido (algo que ele insiste em dizer que é).
- Já meu amor, já és um crescido!
- Sou quase da tua altura?
- És quase da minha altura.
- E posso conduzir?

17 de setembro de 2012

As nuvéns


E no caminho para casa vimos dragões a voar pelo céu, parecia uma pintura...

Estes tempos

Têm sido umas semanas de adaptação, ajustes aqui e ali e algumas coisas vão ficando para trás ou simplesmente, numa tentativa de não excluir coisa nenhuma, a atenção ao pormenor não tem sido a mesma.
Nos tempos de adaptação há alturas mais fáceis que outras e o truque é não nos deixarmos afectar pelas coisas pequenas. Só que, não é fácil.

Sendo uma mãe dos tempos que correm (pertencendo à geração a que pertenço) em que queremos poupá-los a tudo e a todos, queremos que sejam crianças acima de tudo, felizes, a verdade é que há coisas que têm que ser eles a passar e é absolutamente insano achar que os podemos fazer felizes 24 horas por dia e 365 dias por ano - estaríamos a criar monstros - mãe que é mãe ou pai que é pai não deixa de criar um bom trauma à sua criança.
Mas quando nos pedem algo, tentamos dar, certo? Desde que não nos peçam a Lua (e mesmo assim...)

Sei que o G gosta da escolinha nova, sei que gosta da A (a educadora) e sei que gosta dos amiguinhos que faz a cada dia. Nos dias melhores, no caminho para casa pede-me para o levar de volta à escola, nos outros dias não quer ir. E eu tento incentivar, "ir para a escola, aprender coisas novas, e brincar com os amiguinhos é tão bom!"

Ontem à noite perguntou-me porque é que não podia ir para a outra escola onde estão a G e o L, e eu, cá dentro ouvi: "porque é que não posso ir para onde era feliz, onde estão os meus amiguinhos de sempre, onde eu pertenço?" E morri um bocadinho.
Prometi-lhe que nos anos dele convidaríamos a G e o L para um lanchinho e ele ficou mais animadito.

Hoje, hoje já era outro dia e ele lá foi, meio sem vontade, e eu "digo-me" que é segunda-feira e que à segunda-feira custa em todo o lado. E ele levou o Cuquedo que sabe de cor e salteado (e talvez porque lhe abafe um pouco a saudade) e lá ficou de lagriminha no olho com o livro preso debaixo do braço. Eu tive que me vir embora.
Porque é que custa tanto?

Setembro de vindimas

E é vê-lo a querer ajudar em tudo.

13 de setembro de 2012

E evolução da ortografia



Já por aqui (na net) foi dito tudo o que há a dizer sobre o Acordo Ortográfico, no entanto, aqui estamos nós.
Encontrei lá por casa estes dois exemplos. Gostava de ter um Almanaque Bertrand de cada ano da sua existencia, mas... por agora temos três ou quatro (ao todo) e chega, não é essencial.
Estamos sempre em evolução e ainda bem, é desejável que assim seja. Estes dois exemplos distam 12 anos um do outro e já se nota uma ou outra diferença, noutro de 1955 encontro já o modo de escrever que aprendi na escola.
É claro que sou a favor da evolução, custa-me é a demissão que está presente em tudo isto, somos a língua mãe e como em tudo, demitimo-nos de criar as nossas regras, de definirmos a nossa própria evolução, deixamos sempre que sejam os outros a dizer-nos que caminho seguir. Custa-me, custa-me que quem decidiu (ou concordou) tenha tido tão pouco respeito pela língua e sua história e tenha optado levianamente pelo caminho insípido que temos gora pela frente.
Era só mais isto que queria acrescentar, obrigada pela paciência.

12 de setembro de 2012

A natureza dos cortes

Capim-dos-pampas (Cortadeira selloana), não entra na história
mas estava presente e quis ver como ficava na foto.

Já foi no fim de semana, a noite prestava-se a isso, estava quente e convidativa e nós lá fomos os três dar a volta ao quarteirão. Mais por insistência da criança lá de casa que dizia "adoro andar a paxear na rua" e tanto insistiu que lá fomos todos, descobrimos que adora andar a pé só por andar, é pena é cansar-se depressa...
Ali perto há um "liceu" (se é que ainda se encontra significado para a palavra, caiu num desuso completo) cujo muro está coberto daquela roseira pequenina trepadeira... será rosa de Stª Teresinha? É impossível não se sentir o perfume, o ar está agradavelmente saturado. Era um passeio bucólico, tranquilo, muito muito agradável.
Perguntei-lhe se não sentia o cheiro, ele respirou fundo e disse:
- Cheira bem, cheira a natureza!
- É bom, não é?
- É, mas esta natureza está maluca!
Passámos imediatamente a modo "não bucólico".
-Está maluca?! Está maluca porquê?
- Puque amanhã vem o xenhor cotar esta natureza!

E depois a mãe faz o raciocínio e (às vezes) chega lá. Ele tem visto agora por estes dias e por todo o lado os jardineiros em acção, a podar as partes "malucas" que saem fora da ordem... e assim, tudo o que sai fora - o senhor vem cortar.
O jardineiro ainda não apareceu por lá, a natureza continua maluca e ainda bem, haja alguma coisa neste país (para além do Governo) a fazer o que lhe dá na veneta e a cheirar bem.

11 de setembro de 2012

Actos de vandalismo


Perguntaram-me se eu concordava com a nova (futura/possivel) lei sobre actos, perdão, atos de vandalismo (estou a tentar, estou a fazer um esforço).
É claro que concordo, sou a favor da "street art", não da porcaria.
Estes dois exemplos colhidos por aqui quase ao virar da esquina, são excelentes. Um é mais porco que o outro sim, mas ambos servem para o mesmo. Não atraem nada de bom, não são simpáticos, não transmitem nada, não inspiram nada.
É claro que sou a favor de uma lei, mas também sei que nos casos pioneiros alguém sai sempre a perder. Espero que a "pessoa" que está neste momento a estudar a lei, a estude mesmo e faça os trabalhos de casa bem feitinhos, há uma grande diferença de street art para vandalismo e não é nada difícil de saber qual é, implica trabalho, implica esforço, implica inspiração, implica dedicação.  Implica alguém cheio de criatividade que apanha um suporte que lhe serve  e cria algo à sua dimensão, para todos. Implica principalmente gerar uma emoção, transmitir uma mensagem.
A história da arte não esquece que poucos são os artistas pioneiros que são reconhecidos desde logo, a começar no próprio país, mas também sabemos que a arte que é feita nas paredes terá um duração (mais) efémera  pelo suporte que ocupa.
Veremos.