13 de setembro de 2012

E evolução da ortografia



Já por aqui (na net) foi dito tudo o que há a dizer sobre o Acordo Ortográfico, no entanto, aqui estamos nós.
Encontrei lá por casa estes dois exemplos. Gostava de ter um Almanaque Bertrand de cada ano da sua existencia, mas... por agora temos três ou quatro (ao todo) e chega, não é essencial.
Estamos sempre em evolução e ainda bem, é desejável que assim seja. Estes dois exemplos distam 12 anos um do outro e já se nota uma ou outra diferença, noutro de 1955 encontro já o modo de escrever que aprendi na escola.
É claro que sou a favor da evolução, custa-me é a demissão que está presente em tudo isto, somos a língua mãe e como em tudo, demitimo-nos de criar as nossas regras, de definirmos a nossa própria evolução, deixamos sempre que sejam os outros a dizer-nos que caminho seguir. Custa-me, custa-me que quem decidiu (ou concordou) tenha tido tão pouco respeito pela língua e sua história e tenha optado levianamente pelo caminho insípido que temos gora pela frente.
Era só mais isto que queria acrescentar, obrigada pela paciência.

12 de setembro de 2012

A natureza dos cortes

Capim-dos-pampas (Cortadeira selloana), não entra na história
mas estava presente e quis ver como ficava na foto.

Já foi no fim de semana, a noite prestava-se a isso, estava quente e convidativa e nós lá fomos os três dar a volta ao quarteirão. Mais por insistência da criança lá de casa que dizia "adoro andar a paxear na rua" e tanto insistiu que lá fomos todos, descobrimos que adora andar a pé só por andar, é pena é cansar-se depressa...
Ali perto há um "liceu" (se é que ainda se encontra significado para a palavra, caiu num desuso completo) cujo muro está coberto daquela roseira pequenina trepadeira... será rosa de Stª Teresinha? É impossível não se sentir o perfume, o ar está agradavelmente saturado. Era um passeio bucólico, tranquilo, muito muito agradável.
Perguntei-lhe se não sentia o cheiro, ele respirou fundo e disse:
- Cheira bem, cheira a natureza!
- É bom, não é?
- É, mas esta natureza está maluca!
Passámos imediatamente a modo "não bucólico".
-Está maluca?! Está maluca porquê?
- Puque amanhã vem o xenhor cotar esta natureza!

E depois a mãe faz o raciocínio e (às vezes) chega lá. Ele tem visto agora por estes dias e por todo o lado os jardineiros em acção, a podar as partes "malucas" que saem fora da ordem... e assim, tudo o que sai fora - o senhor vem cortar.
O jardineiro ainda não apareceu por lá, a natureza continua maluca e ainda bem, haja alguma coisa neste país (para além do Governo) a fazer o que lhe dá na veneta e a cheirar bem.

11 de setembro de 2012

Actos de vandalismo


Perguntaram-me se eu concordava com a nova (futura/possivel) lei sobre actos, perdão, atos de vandalismo (estou a tentar, estou a fazer um esforço).
É claro que concordo, sou a favor da "street art", não da porcaria.
Estes dois exemplos colhidos por aqui quase ao virar da esquina, são excelentes. Um é mais porco que o outro sim, mas ambos servem para o mesmo. Não atraem nada de bom, não são simpáticos, não transmitem nada, não inspiram nada.
É claro que sou a favor de uma lei, mas também sei que nos casos pioneiros alguém sai sempre a perder. Espero que a "pessoa" que está neste momento a estudar a lei, a estude mesmo e faça os trabalhos de casa bem feitinhos, há uma grande diferença de street art para vandalismo e não é nada difícil de saber qual é, implica trabalho, implica esforço, implica inspiração, implica dedicação.  Implica alguém cheio de criatividade que apanha um suporte que lhe serve  e cria algo à sua dimensão, para todos. Implica principalmente gerar uma emoção, transmitir uma mensagem.
A história da arte não esquece que poucos são os artistas pioneiros que são reconhecidos desde logo, a começar no próprio país, mas também sabemos que a arte que é feita nas paredes terá um duração (mais) efémera  pelo suporte que ocupa.
Veremos.

Acabadinhas de chegar


Duas folhas de autocolantes, acabadinhas de chegar à minha mesa, directamente dos anos 80.
Desconheço o autor...

10 de setembro de 2012

A "nova" austeridade


Mais um saco de uma tonelada para carregar todos os dias para onde quer que se vá.
E mais uma vez lá vai o privado pagar a má gestão do público com toda a precariedade que o segundo traz ao primeiro.
E não se dão conta que estão a corroer os alicerces? É preciso explicar o que são alicerces e para que servem? E será tembém necessário explicar a esta gente que a este grau a contestação já não é gratuita (se é que alguma vez o foi), é mesmo uma desilução profunda e medo pelo futuro? É a pobreza que bate à porta já de muita gente, confrontada com os topos de gama com que se cruzam no caminho.
É tanta coisa que se vê por aí... até me faltam as palavras.
E sim, começo a ter receio.

7 de setembro de 2012

O primeiro "A"


Chegou radiante ao pé de mim.
- Mãe, olha, fiz um "A", dois "às"!
- Que lindo, filho ( e elogiei mais do que dou aqui a entender), mas o "A" tem que estar unido aqui em cima, como fizeste no primeiro, vês, tem um pontinho aqui em cima onde se juntam...  assim é um "H", faz lá outra vez.

Já tinha feito um, quando fez o segundo veio mostrar:
- Vês mãe, tem um pontinho em cima! - e fez o terceiro, sem pontinho...


De qualquer modo, foi o primeiro "A", guardo religiosa e carinhosamente todos este momentos. Partilho-os aqui não para me gabar mas porque me fazem imensamente feliz, pela procura, pela vontade de crescer tão especial destes anos. Consigo ver-lhe a necessidade de se exprimir no mundo criado e ditado pelos adultos, quem não escreve ou não lê, não está incluido e, por muito estranho que isso possa parecer, consigo mesmo ver essa necessidade em muito do que faz.
Não sabia que assistir na primeira fila ao desenvolver de um ser humano podia ser tão fascinante. Sou feliz!