16 de julho de 2012

Lindo!


Chegou agorinha mesmo do Brasil.
Não é meu mas já cusquei qb.  2.350 Kg de livro, 1120 páginas, 1500 receitas para tudo e mais alguma coisa.
Para além do costume (os capítulos divididos por tipos de carnes peixes, bolos, etc), tem uma parte só para todo o tipo de sumos/refrescos/licores/"coqueteis". Tem sugestão de cardápios (o que combina melhor com o quê e cardápios para diferentes tipos de ocasiões), montagens e arranjos de mesa, refeições temáticas, etiqueta à mesa. Dicas e truques. Um capítulo de curiosidades que ensina por exemplo, como abater um peru e informação adicional sobre estes temas da década de 40 (as folhas deste capítulo são cópias que parecem tiradas da nossa antiga "crónica feminina").
Uma autentica D. Benta para ter em casa.
Fiquei com vontade de ter um.

A beleza está...

Source: favim.com via Jessica on Pinterest

...por todo o lado. Apaixonei-me por este cemitério!

14 de julho de 2012

Orgulho (sem preconceito)

Para haver desilusão implica ter havido uma ilusão, e a primeira é tanto maior quanto maior for a certeza de determos a verdade.
Não há verdades absolutas, o que é verdade para mim não o é para outra pessoa e o que é verdade agora não o será amanhã. As verdades absolutas (até as científicas) são tão pequenas quanto os corpos a que se aplicam e a ciência avança. Na física o que é verdade neste nosso planeta não o é certamente no todo da galáxia ou no universo, por todas as variantes e por tudo o que desconhecemos.
Mas estou a deixar-me levar pelo assunto.

Foi uma semana cheia, difícil, esgotante mesmo. Os contornos dos acontecimentos não interessam (não interessam mesmo) mas, suponhamos que queremos que uma pessoa deixe de ter determinado comportamento ou deixe de fazer determinada coisa que não é boa para ela nem para os que a rodeiam. Faz-se uma "intervenção", usam-se todos os argumentos, aplicam-se - já em desespero - uns quantos golpes baixos, e nada. O intervencionado começa a ficar extremamente irritado e começam os "confrontos", diz-se o que não se quer, faz-se o que não se deve, e no fim, no fim a pessoa continua a fazer o que sempre fez e todos os outros à sua volta, esgotados, viram costas em desilusão.

Em questões de orgulho ninguém ganha, ninguém tem razão porque o orgulho por si só é uma (mais uma) manifestação do medo. Ninguém quer perder.
Querer modificar uma pessoa é uma forma de orgulho e a desilusão também o é.
Quem é que me diz que eu tenho razão? Cada pessoa é como é e cada pessoa faz as escolhas que quer fazer. As pessoas são tão perfeitas quanto o conseguem ser a cada momento, e a minha perfeição é tão... perfeita quanto a do outro, só temos é formas diferentes de sermos e de nos exprimirmos.
Para o outro a verdade dele é tão importante quanto a minha o é para mim. Os pontos de vista são diferentes e igualmente importantes. É preciso colocar a individualidade acima da personalidade.

Agora já sei, são guerras surdas, ninguém ganha. O orgulho quer ter sempre razão seja a que custo for. Valerá a pena?
Talvez no fim se fique a conhecer o(s) outro(s) melhor, até onde conseguem ir nessa disputa pelo poder, do que são capazes, de como encaram a forma como tudo termina.
Bom, as palavras parecem bem mais assustadoras e até parece que houve para aqui uma desgraça qualquer. Nada disso, está tudo como sempre esteve, nada mudou. O processo é que foi necessário para... se calhar, para escrever este post, e acredito que para nos fazer a todos nós reflectir um pouco sobre tudo o que se passou.

Hoje li


Está muito boa esta Time Out.

11 de julho de 2012

Vida

A notícia caiu que nem uma bomba.
Há pouco mais de um mês, num exame de rotina, à G foi detectado um carcinoma na mama direita.
Exames para cá, exames para lá e uma semana mais tarde detectou-se carcinoma também na mama esquerda.
Por muito difícil que ás vezes a vida pareça, nada justifica o querer partir, principalmente quando existem filhos, pais, amigos que se preocupam. Por isso, se em algum momento vires uma luz brilhante, diz-lhe que está adiantada, diz-lhe que ainda não chegou a hora :)

Aguardo com muita expectativa um tempo em que consigamos perceber o nosso corpo. Estamos tão desajustados, tão perdidos do nosso centro, que, se passa uma imensidão de coisas cá dentro e nós não fazemos a menor ideia.
Como é possível que o nosso corpo não nos avise?
Se calhar avisa, e nós nem aí, mas o mais certo é sermos nós os responsáveis por certas (ou todas as) coisas que nos acontecem, por determinados comportamentos, determinadas acções para connosco, determinados costumes, determinados vícios sejam eles físicos ou emocionais.
Por isso, talvez valha a pena, com alguma urgência, pararmos um bocadinho, analisarmos aquilo que fazemos, pensamos, sentimos e tomarmos consciência do que não precisamos e abandonarmos de vez esses comportamentos.

Quanto a ti, G, é uma tarefa hercúlea, eu sei, mas estamos cá e cheias de força.
Vai correr tudo bem.

Seriam 100 anos

José Francisco Teresa
Este senhor, se por cá ainda andasse,  faria hoje 100 anos, o meu avô.
Pai da minha mãe, alentejano, com quem tive o privilégio de ter boas conversas sobre os tempos antigos.
Das aventuras que viveu, das estradas que construiu (sim, troços da estrada para o Algarve - a antiga -tem por lá muito suor deste senhor), de quando pulava pelos quintais para fugir dos castigos das diabruras que cometia, da fome que passou, das saudades que tinha da mãe.
Vidas. Muito se passa sem que aparentemente isso contribua para o girar do planeta. Mas as emoções sempre existiram, as dificuldades, os desafios, as dores, os medos. Um dia foram crianças e a velhice estava-lhes tão longe como a lua.
Não sei se ele já por cá anda outra vez, penso nisso muitas vezes, acredito piamente que não acabamos na morte, isso não faz sentido nenhum.
Se calhar o meu avô é agora o meu filho e um dia vou contar-lhe as histórias que o meu avô me contava e se calhar isso vai ajudá-lo numa qualquer decisão da sua vida. Vai saber que vem de gente pobre, trabalhadora, sofrida e isso talvez lhe dê a força necessária para um dia destes superar uma qualquer etapa dificil.
E quem sabe, nesta nova evolução que atravessamos, nos comecemos aos poucos a lembrar de pequenas coisas de passados longinquos, de quem fomos, do que fizemos, e com essa experiencia que nos vamos lembrando, as escolhas se tornem muito mais óbvias, o medo deixe de ter razão de existir e a vida tome um rumo surpreendente. Quem sabe?
De qualquer modo é a olhar para estas imgens, fotografias que lhes fiz, que penso nisso. Não foram pessoas distantes, foram pessoas cujas vidas partilhámos, de quem sabemos bastante mas que nestas alturas queríamos saber mais. Foram pessoas que me deram vida. São pessoas que estão sempre presentes, e, de quem tenho muitas saudades.

10 de julho de 2012

Evolução

Homem que é homem faz xixi de pé, e o meu filho como futuro homem que é, já lhe apanhou o jeito.
Há cerca de duas semanas (+/-) que se recusa determinantemente a fazer xixi sentado. O bacio é para os cocós e só porque não os pode fazer de pé.
Há cerca de duas semanas percebeu que ficava em boa posição no bidé (!) é chegar a correr mesmo em cima da vontade, baixar caças/calções e cuecas e vamos então que se faz tarde.
Depois tem a torneira, a torneira é todo um outro mundo, a torneira é a porta de entrada (e saída) para o mundo - ali - acessível e irresistivel da água!
Faz xixi e abre a torneira para lavar o xixi e depois, depois tem que lavar as mãos, o frasco do sabonete (líquido) já habita nesta cota mais baixa e assim ele trata sozinho de si próprio, é independente e sente-se bem.
E eu, admito, é mais fácil lavar o bidé que o bacio...

Mas a finalidade deste post é outra, é muito mais global e profunda.
Um dia da semana passada, estávamos só os dois em casa,  lá foi ele a correr e eu, supervisionar. Quando terminou o seu xixi quis lavar as mãos mas, antes de abrir a torneira já lá tinha a mãozita bem encostada, conclusão, água a voar em todas as direcções. "Passei-me dos carretos":
- G, não acredito, olha o que fizeste, que chatice é sempre a mesma coisa, é só disparates! - e dei a ordem - Sai já daqui!
Ele, zangado, agarrou na porta, fechou-a com força e disse:
- Não! Vou ficar aqui contigo!
E lá fomos nós numa escalada.
- G, faz o que te digo, sai! Agora vou ter que limpar isto tudo!
- Não! Estou zangado contigo!
- Estás zangado comigo? Eu é que estou zangada contigo, estou irritada!
- Eu estou irritado contigo!
- G _ _ _ _! (disse o nome dele por silabas, para dar o tal ênfase) - e virei-me para ele com uma cara séria.
Ele encarou-me também com uma cara séria. Ficámos assim uns segundos e a seguir ele abraçou-se a mim e eu a ele.

A mil à hora as imagens sucederam-se na minha cabeça. Aprendi ali algo naquele momento e entreguei-me ao sentimento.
Li há algum tempo um facto interessante sobre a nova energia e as crianças da nova era. Dizia o autor que antigamente, na velha energia, quando os pais discutiam as crianças fugiam, refugiavam-se no quarto, debaixo da cama, no armário, etc. Agora, na nova energia, eles não só ficam no mesmo sítio como interrompem e dão ideias de como resolver as situações.
Na altura isso fez-me rir, emocionou-me até. Hoje isso faz todo o sentido, não só ele não cedeu (recusando-se a sair) como conseguiu transformar todo o drama e zanga que tomavam já conta de mim.
Obrigada meu amor, foi um privilégio.