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9 de setembro de 2013

Muito bom com distinção


O casamento traz-nos, para bem ou para mal, a família alargada e em versão instantânea. O "mal" a que me refiro é a falta de tempo para maturar os feitios, é levar com não sei quantas maneiras de ser enraizadas, assim de chofre, sem tempo para crescermos com elas e nos habituarmos ao modo de ser de cada um. Quando atingimos uma certa idade resolvemos que já não temos paciência e que simplesmente já não estamos para isso.
Às vezes vale bem a pena o esforço, às vezes as pessoas surpreendem-nos e quando menos estamos à espera e nos permitimos descobrir, podemos encontrar ali um grande e verdadeiro amigo para a vida.
Não sei se foi sorte, mas o casamento trouxe-me uma família fantástica. A X, prima por afinidade defendeu hoje a sua tese de doutoramento. Logo desde que saí de casa, o orgulho foi a minha companhia constante, não pela tese, mas pela pessoa, pelo esforço, pelo trabalho e dedicação, por tudo o que é.
 E não é só ela, são todos. Há famílias fantásticas, pai, mãe, filhos, maridos, netos. Há pessoas assim. Sinto um orgulho e um privilégio enorme em fazer parte deste círculo. Por causa deles tenho conhecido muito mais da vida e das pessoas (ou não viesse eu de uma família pequena), poder testemunhar certas etapas com a mesma alegria ou apreensão como se se tratasse da minha própria vida. Poder crescer com eles. Ter uma aprendizagem assim com distinção.
Há famílias fantásticas e a minha é uma delas.
Parabéns X, o céu é o limite!

12 de julho de 2013

Vestidos para a mamã

Há um anúncio na rádio que começa assim: "a minha mulher adora vestidos".
Ontem de manhãzinha vinha com o G no carro a caminho da escola, começou o anúncio e ele, imediatamente:
- A minha mamã adora vestidos. Não adoras mãe?
- É verdade, adoro vestidos. Não tenho é muitos.
- Porquê?
- Porque não tenho dinheiro para os comprar.
Ele pensou um segundo
- Mas o pai tem!... E eu e o papá vamos comprar roupa p'a ti.
- Vão? Tu e o pai? E tu tens dinheiro?
- Tenho olha, até tenho um cartãozinho - e mostrou um cartão de desconto da Repsol que terminou o mês passado e o pai deu-lho para ele brincar, ele guarda religiosamente o cartão no carro (para ir às compras).
 
Achei giro que ele tivesse oferecido tão prontamente a sua assistência. Noventa e nove por cento (98, vá) das vezes ando de calças mas, no verão, com o calor, adoro mas adoro vestidos. Provavelmente por me ver mais "menina" ele goste de me ver de vestido e ache que devo usar mais, talvez. Sei que quando calço umas sabrinas/botas/ténis coloridos ou floridos ele elogia-me, diz "uau mamã, que sapatos tão giros!"
É o sentido estético, isso ou a esperteza galanteadora, o tempo o dirá.
 
"Papá" leste este post?...

31 de maio de 2013

Coisas novas

- Ca-blei-rei-ro! Uau, mãe, já sei dizer Ca-blei-rei-ro! - correu feliz a dizer-me.
Há dias aprendeu (sozinho) a dizer "Grândola" e "fotografias" a que chamava "godafias", eram das únicas palavras que não dizia correctamente. Nunca me preocupei em emendar porque eram das últimas ligações àquela primeira infância e porque ele neste campo (da fala) até vai muito bem. É desde sempre o primeiro a fazer o esforço para se emendar, e quando não sabe ou não consegue pergunta como se diz e repete até conseguir. E é também muito explicadinho.
Tem as manias da "sabechice" que todos têm mas (ainda) aceita bem todas as correcções que lhe chegam, e isso, para mim, foi uma agradável surpresa.
Agora aprende ou reaprende palavras e feliz vem partilhar os seus sucessos. Nós fazemos uma festa e incentivamos, claro:
- Agora diz lá "o-to-rri-no-la-rin-go-lo-gis-ta"! - atirei.
Ficámos a olhar um para o outro em silêncio durante uns segundos. Ele disse qualquer coisa parecida e desatámos os dois a rir à gargalhada.

28 de maio de 2013

O Projecto (parte II)


E pronto, projecto feito e entregue dentro do prazo.
Ficou assim o nosso Cuquedo, lindo de morrer e ainda por cima, fofinho fofinho.
3 rolos de "lã" de veludo (acrílico) e uns bons metros de arame. O projecto ficou-nos (em material) em cerca de 3,50€. Em tempo também não foi coisa para gastar muitas horas, fez-se bem, demasiado bem, foi uma diversão. 
O melhor de tudo foi a "ajuda", depois, a primeira coisa que juntei foram os pés e as pernas, e os olhos do G cintilaram quando começaram a ver algo mais concreto.
No sábado, já noite dentro quando terminei o boneco fui para a cama com aquela sensação de não conseguir dormir porque sabia que ele ía delirar quando visse. É tão bom fazer sentir assim as nossas crianças.
A ideia deste boneco é extremamente simples e ele adora a história. E lá foi ele para a escola de boneco e livro debaixo do braço.

23 de maio de 2013

O Projecto


Já tínhamos ouvido falar do Projecto, desde o início do ano que ele circula de mansinho pelas casas dos meninos da sala do G. Sem pressas vai percorrendo toda as casas, conhecendo todas as famílias e todas as histórias.
O Projecto chegou a nossa casa esta semana e confesso que achei que só chegasse lá para o ano. Consiste em escolher uma história que a criança goste e construir "numa semana" o/a personagem principal (em 3D).
Claro que a primeira (brilhante) ideia foi um gormiti! E logo um gormiti, não só são para lá de lindos como são facílimos de construir.  Os planos da construção são deixados ao critério das mães (porque são maioritariamente as mães que se metem nestas coisas). Todos os outros projectos já concluídos são 99% bonecos de pano, e depois há um de papel.
A segunda grande ideia foi o Super why. A ideia até me agradou mas numa semana, sem dar em maluca, não me pareceu fazível.
A modos que andamos em testes lá por casa, temos uma terceira ideia que nos está a parecer perfeita pela simplicidade, pelo gosto que ele tem na história e pelo humor da figura. E ainda por cima ele anda todo feliz a ajudar. Se correr tudo bem cumpriremos o prazo e teremos fotografia para partilhar, se correr tudo mal, acho que sempre teremos foto mas não sei bem para quando.
 
No meu tempo não havia nada disto. Trabalho de casa era TPC, tinha que o fazer e "mai nada", agora  o puto traz  trabalho de casa e a mãe que se chegue à frente. O que vale é que eu adoro isto.

20 de maio de 2013

A música do momento

Por estes dias a música que no carro faz mais furor e mal tocam os primeiros acordes salta logo um "põe mais alto" do banco de trás, é o "Desfado" da Ana Moura.
Completamente rendidos mãe e filho.

18 de abril de 2013

O Deus de cada um

Ontem quando o secava, depois do banho (com todos os Gormitis), tinha o gormiti da floresta na mão e experimentando todas as "articulações" colocou-o de joelhos.
-Mãe olha, o que é isto?
- Uau, está de joelhos.
-Está de joelhos a fazer o quê?
- Está a rezar, a rezar ao Deus dele.
- O que é o Deus dele? - perguntou-me
(Pausa para pensar - como explicar de modo que lhe fizesse algum sentido)
- Cada pessoa tem o seu Deus, e o Deus que as pessoas imaginam é alguém que vive fora do planeta (ele tem uma ideia do que é o planeta) e de quem gostamos muito e a quem tentamos agradar...
- Ah, o Pai Natal!!!!!

E ele tem razão. Algo criado pelo homem para o homem e a quem tentamos agradar de forma a sermos recompensados, é o Pai Natal!
Devagarinho vou começar a explicar-lhe que Deus está dentro de nós e que Deus é o pai amoroso que ama todos os seus filhos de igual modo e que não é o Pai castigador que nos querem fazer crer, que nos ensina valiosíssimas lições mas que temos que estar a tentos para as aprendermos. Que podemos falar com ele de igual para igual porque somos parte dele e que se nos permitirmos sentir essa força amorosa cá dentro, tudo fará muito mais sentido. É bem melhor que o Pai Natal!

17 de abril de 2013

Ontem uma rainha

- "Mamã" -disse-me segurando na minha cara entre as suas mãozinhas - "tu ontem eras a minha Rainha!"
Sorri e respondi - "E tu és o meu príncipe!"
-"Não, príncipe não, Rei!
-"Pronto, és o meu pequeno Reizinho."

Se à mãe se chama rainha (ainda que no dia anterior), espera-se sempre, no mínimo, equivalência. Nunca um grau abaixo.

26 de março de 2013

Uma ideia genial



O meu filho costuma dizer-me: "Mamã, tive uma ideia genial!" Mas na realidade ele foi e é a ideia genial que eu e o pai concretizámos.
(Acho que nunca vou deixar de ser a mãe babada)

19 de março de 2013

78 anos


Entre as duas (eu e a R).
Um número a não passar despercebido.
A "festa" foi espontânea e assim são as melhores. O bolo não era das winxs mas era de chocolate. Valeu.

15 de março de 2013

A(s) festa(s) da vida

Há duas datas verdadeiramente importantes para o meu filho, os anos dele e o Natal. Pergunta muitas vezes quando volta o Pai Natal. Tento sempre explicar-lhe com exemplos de duração de tempo, tento que ele se comece a habituar ao nome dos meses e a que estação pertencem.
Vive todos os dias a pensar na (próxima) festa de anos. Quando alguma coisa não lhe agrada avisa logo: "- Tu não vais à minha festa dos quatro anos!"

Há uma coisa que ele já sabe há algum tempo, é que Março é o mês da mamã. No fim de Fevereiro perguntava-me muitas vezes se já tinhamos voltado ao 1, quando finalmente a resposta foi afirmativa os olhinhos dele iluminaram-se e perguntou se já estávamos em Março.
"-Já meu amor, já estamos em Março."
"- E tu fazes anos?"

Há cerca de uma semana veio ter comigo:
"- Mãe queres um bolo dos Gormitis ou do Scan2go? - quando fez a pausa para ouvir a resposta deve ter-lhe ocorrido algo mais adequado -" ou queres das Winxs ou das pincesas?" - acrescentou.
"- A mamã é menina, talvez seja melhor as Winxs ou as princesas!"
Ele concordou com a cabeça e eu perguntei:
"- És tu que me vais fazer o bolo?"
"-Sim, e a festa!"

É verdade, ele não fez o bolo mas faz definitivamente e continuamente a minha festa, todos os dias!


Coisas novas


Março trouxe uma coisa nova cá para casa.
"Estamos" a fazer a colecção dos animais. Pai e mãe completamente empenhados.
Está a ser giro e por enquanto está a resultar. Já lá vão quase 15 dias e o interesse mantém-se.
Já temos 4 cromos para a troca (caso haja alguém interessado).

Fora de brincadeiras, talvez seja muito pequeno, talvez não. Está a correr bem, ele gosta de ver as folhas com mais imagens a cada semana que passa (não pode ser todos os dias), acho que acima de tudo, começa por ser um daqueles exemplos palpáveis que lhes ensina que há coisas que demoram o seu tempo e que não faz mal esperar.
É muito giro, ele retira a parte de trás e cola o cromo no sítio certo, vai-se habituando aos números grandes e vai também tendo umas noções de espaço e a colocar o cromo direito.
Estamos fãs.

11 de março de 2013

Assim foi

"- Mãe, fica aqui a minha chucha ao pé de ti, se ela te disser alguma coisa, fala com ela, tá bem? "
 
Saltou da cama e foi ter com o pai à sala.
Eram 10 da manhã de domingo (ontem) e a febre dava finalmente tréguas. Só o facto de ele se levantar às dez da manhã dizia tudo.
Foi uma semana, foi uma dança de vai e vem com a febre, ora vinha em força e ficava por um dia inteiro ora nos deixava em paz durante quase 24 horas, até que por fim, a constipação caiu com tanta força que ele chorou, chorou, chorou. E dormiu.
A vida fez uma pausa e mãe e filho em casa num certo tipo de isolamento que só a disposição impôs. As noites foram de vigília com a sentinela materna ali em sentido forçado, o pai abdicou do seu espaço, ocupámo-nos de filho da cabeça aos pés.
Foi assim, já passou. Não sei se faço grande sentido com as palavras mas na minha cabeça parece-me bem. Passou-se assim mas, talvez o cansaço físico e mental disto tudo não me permitam pensar com clareza. Talvez amanhã tudo seja mais nitido. Já passou e amanhã é um novo dia.

12 de fevereiro de 2013

Tuesday morning

Uma casa "deserta" e tranquila, uma música calma na rádio (televisão desligada), o cheiro do meu incenso preferido no ar, sem pressas para o almoço, sem horas para nada, o tempo todo meu/nosso.
Vivemos assim durante muitos anos. Esse tempo parece-me pertencer a outras pessoas , a outra história, a outros tempos.
No momento presente tudo se passa numa rapidez incontrolável, queremos guardar um momento mas o momento já passou, não podemos olhar para o lado, não nos podemos distrair. A cabeça a mil, o corpo a tentar acompanhar a velocidade do pensamento, o cansaço, a dificuldade em absorvermos toda a informação. Organizar os dias, a casa, o trabalho, a familia. Chegar a tudo e a todos.
É difícil e damos por nós um pouco mais envelhecidos a cada dia.
 O G está com os avós hoje, não sei há quanto tempo não tínhamos uma manhã assim, sem pressas, é bom, é sossego regenerador, sem culpas.
Não mudava uma virgula, nem do antes nem do depois. A tranquilidade terminou mas a vida é milhares de vezes bem melhor, não há comparação, mesmo sabendo que daqui a pouco começamos com os sintomas de privação.

1 de fevereiro de 2013

Happy daddy


Chegados a casa depois das nove da noite, ainda se fez a correr um bolinho de maçã e canela para o outro menino pequenino cá de casa.
Parabéns cantados a três vozes e um stress para se conseguir aguentar acesas as velas (com o G a tentar soprar).
Parabéns papá, para o ano há mais.

31 de janeiro de 2013

Trabalhos importantes


"- Mãe eu estou a fazer um t'abalho muito impo'tante!"
E não é que estava mesmo.

A febre voltou vinda sabe Deus de onde, foram só dois dias mas o suficiente para desorganizar tudo à nossa volta. Muitos dias em casa são complicados por todas as razões, faltar ao trabalho, faltar à escola, é o descontínuo, a quebra de hábitos (saudáveis), a permissividade um pouco mais esticada, o juízo toldado pelo coração apertado, a preguiça, a sanidade mental, etc.

Afastá-lo da televisão não é difícil, encontrar "tarefas" que prendam a atenção (durante um tempo razoável) de uma criança de três anos é que não é fácil.
Valeu-nos um trabalho de casa da escola que consistia em fazer uma máscara com materiais reciclados (ainda não tirei a fotografia). Trabalho para ser feito com mãe/pai para um concurso na escola.  Cada fase deste nosso pequeno projecto foi pensada de modo a que ele participasse o mais possível mas, a capacidade dele estar sentado a uma mesa e pintar a mesma peça/desenho durante mais de 5/10 minutos, é mentira. Ou se altera o trabalho com muita frequencia ou acabamos sozinhas à mesa. Quando juntei as peças todas e as colei chamei-o.
"-Gostas assim?"
Estendeu o braço para cima, palma da mão aberta para mandar parar "- Mãe, está bom assim, não faças mais nada!" - e acrescentou - "Acho que vamos ganhar um prémio."
Eu não acho (aproveitei logo a deixa para explicar que o bom é participar e etc...), e mais, acho que a rapidez com que resolveu que o trabalho estava concluido deixou no ar um cheiro a "não vou dizer que não gosto porque senão ainda tenho que ir fazer mais".

23 de janeiro de 2013

As coisas boas e a hora de ponta

Parados no semáforo

Parados na berma (para tirar a foto)
Mal entrou no carro disse-me: "mamã, vamos pela estrada marginal!"
Ainda pensei durante um segundo mas depois, para quê o stress? para quê a correria?
No rádio começou "sail", aumentei o som mesmo antes dele pedir e rumámos à Marginal. A música era boa, a chuva embalava o caminho e ele disse satisfeito: "esta é a minha música preferida de todas!"
Foi uma viagem de contemplação.

Sugestão


 
Desta "marca" gosto do pão de Espelta, que é de todos os pães de Espelta, de comer e chorar por mais. Mas hoje o papá trouxe pão de Kamut com bagas goji e sementes de abóbora e girassol (e linhaça), fresquinho. À primeira vista, não dei muito por ele, não me agradam coisas moles (passas e afins) a habitar o pão, mas depois, provei e fiquei rendida. É bom (mas o de Espelta continua no topo da lista), é biológico e cheio de coisas boas que fazem bem à saude.
Recomendo.

22 de janeiro de 2013

6 dias

 
Foram seis dias, seis dias intensos.
Manter a "peste" ocupada nos momentos em que febre era vencida é que foi o mais complicado. Mas o interessante foi vê-lo fazer os puzzles ao contrário porque da maneira correcta já é demasiado fácil.
É engraçado vê-los superarem-se, encontrarem maneiras de tornar as brincadeiras de sempre interessantes.
Desenhar com carvão foi a novidade, amanhã volta à vida real e eu preciso de férias.