Mostrar mensagens com a etiqueta Receios de mãe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Receios de mãe. Mostrar todas as mensagens

16 de abril de 2016

Assustador

A criança cá de casa recebe 10€ por mês (de mesada) porque está a juntar para comprar o seu tablet.
Porque cá por casa também já pouco se emprestam tablets, e às vezes de castigo já se passam semanas sem poder tocar no telefone (da mãe ou do pai). Depois vejo reportagens como esta e a minha cabeça começa a viajar naquelas viagens que só os pais conseguem ter,  daquelas viagens alucinantes que nos deixam de coração nas mãos o resto da vida. E questiono-me se estaria no meu juízo perfeito quando concordei com esta coisa de mesada (e ele não sabe que por cada dez euros que recebe para o mealheiro do tablet, eu retiro 5 para a conta dele...).
Fiz questão de o sentar ao meu colo para ver a reportagem comigo. Mas por enquanto ele consegue explicar tudo muito bem e diz que não passa seis horas seguidas a jogar.  Pois não, a bateria do telefone não aguenta  ou então está na escola...
A não deixar de ver. 
Só um alerta: Para quem não viu a reportagem da RTP em Janeiro, é garantidamente causadora de pesadelos.

25 de fevereiro de 2014

Mãe desgraçada

Há uns dias a caminho da escola ao som do "Desfado" da Ana Moura  ("ai mas que sorte eu viver tão desgraçada"), o meu filho pergunta o que é "desgraçado".
- Desgraçado é uma pessoa infeliz, sem nada, sem amigos, sem ninguém.
- Ah, então eu sou desgraçado! - começou com voz chorosa.
(Passei-me)
- Oh G, estás maluco? Uma desgraçado é um miserável, sem nada, sem roupa, sem comida, sem casa, sem ninguém.
- Mas eu sou desgraçado porque vocês fazem-me. - Atacou -  Sou sozinho, não tenho ninguém para brincar...  sou um desgraçado.

Seguiu-se uma ensaboadela, ou melhor, um ensaio sobre a desgraça, sei que é o mimo, sei que quer ainda mais atenção, mas custa-me, custa-me que esta gente pequena, aos quatro anos saiba já usar destes argumentos. Às vezes vem muito choroso ter connosco: "Oh mãe, não precisas de mim para nada?" Se estou a fazer algo que ele não pode mesmo ajudar digo-lhe que preciso muito dele mas não para aquela tarefa específica. Ele desespera: "ninguém precisa de mim!"
Oiço e faz eco cá dentro, aflige-me aquele desespero e sei nesses momentos que me saberá manipular magistralmente. 


12 de dezembro de 2013

A Educação

Estava a ler este artigo e estava inevitavelmente a fazer a comparação com o nosso país, não no que os professores querem, mas na evolução dos alunos, da sociedade adolescente, na proximidade que temos com o Brasil a todos os níveis, nas trocas que temos entre nós.
É assustador e sabemos que não é só no Brasil, sabemos do muito que por cá se passa. Sabemos da situação das famílias, sabemos  que em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
Não posso nem quero fazer juízos de valor sobre o que se passa dentro de portas, até porque em minha casa também se ralha, mas mesmo quando no meio de todas as minhas certezas, deixo de ver o fim ao caminho, paro um pouco porque o que de mais importante tenho em casa é também o que me move e me faz ter as escolhas que tenho em relação ao futuro, o que me faz questionar os passos e atitudes e até as certezas. Se calhar tenho sorte por conseguir que o meu filho fique numa escola que acho adequada e o sei bem entregue, mas mesmo assim há todo um trabalho em casa que se tem que conseguir fazer com eles.
Não sei o que o futuro me reserva, não sei se terei sempre trabalho, não sei se ele terá horários malucos e incompatíveis com os meus, não sei se ficará as manhãs em casa ou as tardes, de facto não sei mas, se ele tiver uma estrutura familiar forte, sei que isso não terá tanta importância.
Assusto-me quando olho para a sociedade com olhos de ver e talvez esteja a ser pessimista mas preocupa-me o que vejo.