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13 de agosto de 2011

Admirável vida


Às vezes parece que nem acredito.
Às vezes vou ao quarto dele, à noite (de dia), e fico a vê-lo dormir.
Às vezes quase que tenho ainda que verbalizar "tenho um bebé a dormir ali no quarto", para tornar a coisa real.
Às vezes quase parece um sonho.
E fico a olhar para ele, ali, na "adoração", e maravilho-me com a vida. E depois, penso em todas as mães e avós que estão para trás de mim, da minha mãe, das minhas avós, e todas elas provavelmente se maravilharam assim com a vida e que esse simples facto me permitiu agora, a mim (a nós), passar por isso. E honro todos os que estão para trás e sinto que todos eles vivem em nós. E em tudo isto há uma sensação quase, quase familiar, ancestral de reviver qualquer coisa a que não consigo dar um nome...
E chego à conclusão que o bom da vida é assim, termos a capacidade de nos maravilharmos constantemente, reconhecermos e apreciarmos que seguir a natureza, o simples caminho, leva-nos ao assombro.

7 de agosto de 2011

Nascer no sítio certo


E eis que mais uma catástrofe humana (e humanitária, sim) assola África e o mundo. As notícias falam da maior seca dos últimos 60 anos que afecta  cerca de 12,5 milhões de pessoas no Corno de África. São 3 os campos de refugiados: Alli Addeh no Djibuti, o maior em Dadaab no Quénia e Dollo Ado na Etiópia. É neste último que os noticiários davam conta do número diário de bebés que morrem subnutridos...
Este tipo de "acontecimentos" sempre me impressionou, a mim, que tive a sorte de nascer aqui neste lado do mundo, sempre "protegida" e com acesso a mais do que poderia fazer-me falta. Sempre tive muita vontade de ajudar mas sempre me senti esmagada pela grandeza dos factos e como muitas outras pessoas, ás vezes de tão impressionada chego a perder a tranquilidade e perco-me na aflição. Desde que sou mãe, então, acho que vivo as coisas de uma maneira mais chegada ainda ao coração.
Que futuro pode ter uma humanidade que deixa morrer as suas crianças?

Há cerca de um mês falava com um amigo meu sobre esta situação e de tudo o que isto me faz sentir. O meu amigo (que me avisou desde o inicio para não me chocar com as palavras dele) dizia que estas estas situações são sempre necessárias para a humanidade e deu-me o exemplo da II Guerra Mundial e de tudo o que cientificamente se desenvolveu, dos pulos e avanços que se dão em épocas de crise.
Percebi o que ele quis dizer, tenho pensado muito no assunto até porque já há algum tempo que queria falar disto aqui, e acho que ele até poderia ter alguma razão se a escala desta catástrofe fosse mais abrangente, se envolvesse países mais ricos ou muitos mais países onde pudesse haver mais interesses (tendo em conta o post anterior).
Esta é uma catástrofe anunciada de onde não vai sair nada de bom, a não ser talvez ensinamentos mas será preciso não esquecer.
Há um ano atrás vivia-se já a segunda maior seca consecutiva nesta zona, e os alarmes soavam já bem alto. O OCHA (Office for the Coordinating of Humanitarian Affairs) fazia já tocar campainhas, mas o OCHA pertence às Nações Unidas...  (um dia um post sobre o tema, quem sabe?)
Como é que é possível que com tantos "observatórios" não se tenha intervindo quando por exemplo os preços do sorgo (espécie de milho) por causa de seca tenham aumentado 240%? E os combustíveis perto de 50 %?  Para pessoas que perderam tudo... 

Porque é que ao fim de tantos milhares de anos e com os avanços tecnológicos que temos, que permitem a informação em tempo real, continuamos a ser uma civilização reactiva (tarde e às más horas) em vez de ser pro-activa? Com tantos milhões de euros já "gastos" nesta acção como é que se mantém tantas vidas por salvar? Eu sei, metade do território da Somália e cerca de um terço da Etiópia não são acessíveis à ajuda humanitária ( e custa-me muito pensar que seres "humanos" em nome de "Deus", matem e deixem morrer outros à fome só porque a ajuda é "infiel")... mas morre-se de fome aqui, como é que é possível?
Cuidemos de nós, somos todos iguais e somos todos humanos, preocupemo-nos uns com os outros, e pergunto outra vez, que futuro pode ter uma humanidade que deixa morrer as suas crianças? Que lição é esta que teimamos em não aprender?
A vida humana tem valores diferentes, tantos quanto os diferentes locais do globo e tantos quantos os que a avaliam.

E vamos continuar a ver as imagens e a rezar baixinho para continuarmos protegidos no nosso cantinho com os nossos meninos seguros nos braços.
E o pior é que não é só por lá que se morre de fome.

5 de agosto de 2011

8 de julho de 2011

Em tempos de festa...



..."não se limpam armas".
O provérbio não é assim, eu sei. Nestes dias a cidade vira um mundo. Em cores, raças, línguas, atitudes,...
No comboio ouvem-se todas as línguas menos Português (vamos tão pasmados a olhar para tudo e todos, que nem nos lembramos de abrir a boca).
E não interessa nada se a Moody's acordou bem disposta ou se ficou ressabiada e "desdenhou" de mais não sei quantas cidades e empresas (parece que nas últimas 48 horas esses senhores dedicaram-se a sério ao nosso país, é uma honra senhores, nunca imaginei...). Para os americanos somos e seremos sempre "Eurotrash" não há nada a fazer, o problema é deles.
O que interessa é que é Verão, está bom tempo, há festivais, caracóis, boas praias e apesar de sermos um povo sorumbático, é nos piores momentos que nos revelamos em toda a nossa grandeza e pujança.
Vai correr tudo bem. Acredito na nossa resiliência.